Na última segunda (17) Pedro Bial participou do lançamento do livro "A Memória do Mar" (Globo Livros), em São Paulo. Para celebrar a obra de Khaled Hosseini e o Dia do Refugiado, que acontece nesta quinta (20), o jornalista, que traduziu o livro, mediou um debate sobre a causa.

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Pedro Bial
Divulgação
Pedro Bial

Marcaram presença no encontro José Egas, representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Rama Al Omari, professora que deixou a Síria com suas filhas por causa da guerra. Durante a conversa, Pedro Bial abordou a crise de um panorama mundial, falou sobre política migratória brasileira e ainda falou sobre possíveis soluções para o problema.

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A troca de ideias, que foi acompanhada por uma plateia de fãs e descendentes de imigrantes, começou abordando o porquê o Brasil exerce um desempenho exímio na maneira de lidar com os refugiados que aportam na Terra de Santa Cruz.

“Aqui no Brasil, desde a independência, o governo flexibiliza os caminhos migratórios para permitir que as pessoas fiquem em situação de asilo. Para que eles possam ter trabalho, saúde, CPF e possam contribuir com o País”, diz José Egas, que é corroborado por Bial: “A ideia de que o Brasil não ajuda é nula, o trabalho que o Brasil vem fazendo é exemplar”.

Pedro Bial no lançamento do livro
Reginaldo Junior / iG
lançamento do livro "A Memória do Mar"

Ao falar sobre a situação na Venezuela, o representante da ONU dá um exemplo em números de como o Brasil vem lidando bem com a situação: “Quando a emergência [na Venezuela] começou, eram mais de 400 mil pessoas na fronteira, destas 400 mil… quase 160 mil continuam no Brasil. Continuam porque o Brasil fez o que país nenhum do mundo tem feito para a situação de refúgio: Tem um comitê de coordenação que inclui desde a Casa Civil, passando pelo exército, ministérios, igrejas e até iniciativas privadas apoiando estas pessoas. O Brasil tem dificuldades financeiras, mas mesmo assim abriu os braços”.

Além disso, José Egas citou o investimento governamental aplicado na causa. “Ano passado era pouco mais de R$ 100 milhões, este ano foram R$ 253 milhões. Poderia ser cinco vezes maior e não seria o suficiente, mas é algo que está mantido”.

A palavra então foi passada para Rama, uma professora que resolveu deixar a Síria por causa da guerra. Ao falar de Damasco, capital do país, ela lembra de uma metrópole bonita, repleta de belezas que suas filhas jamais conhecerão.

“Antes da guerra, Síria era muito bonita. Eu morava em Damasco, uma cidade muito bonita. A vida lá era muito simples, normal. Eu trabalhava como professora. Antes da guerra, tudo era tranquilo, normal, não tínhamos problemas. Mas com a guerra acabou tudo, a guerra não destrói apenas sua casa, não destrói o lugar, mas as famílias, os corações”.

Eu estava caminhando no centro de Damasco e caiu uma bomba perto de mim, eu fiquei desacordada. Ainda não esqueci aquele momento. Quando a bomba caiu, uma filha ficou cega e a outra machucou severamente a perna e a barriga. Na hora, pensei que elas tinham morrido. No mesmo momento, uma pessoa me disse: ‘Não vá ao hospital agora, podem jogar uma bomba lá. Espere ficar tranquilo e vá’”.

Com as filhas gravemente feridas, com necessidade de fazer inúmeras cirurgias de alto custo, Rama decidiu sair da Síria. Com a ajuda da ACNUR, Rama veio para o Brasil, arranjou um emprego e dar qualidade de vida a suas filhas. Questionada se retornaria à Síria caso a guerra acabasse, ela respondeu: “A guerra não é só fora, a guerra está dentro de nós. Aqui dentro eu não me sinto estrangeira, eu me sinto brasileira”.

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Ao falar sobre possíveis soluções para a crise de refugiados, Pedro Bial demonstra que a única saída é a união: “Estamos falando de um drama que precisa de políticas de estado. E assim como o aquecimento global, é uma questão que não será resolvida com decisões locais, mas só quando as nações se entenderem e adotarem políticas para isso. Aí chegaremos lá, se é que chegaremos”.

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