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Crítico e jornalista estava internado em hospital de São Paulo desde maio

O crítico de cinema Rubens Ewald Filho morreu nesta quarta-feira,  aos 74 anos. Ele estava internado no Hospital Samaritano, em Higienópolis, região central de São Paulo, desde maio, quando sofreu um desmaio em um shopping da capital e caiu na escada rolante.  

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Rubens Ewald Filho
Reprodução/Internet
Rubens Ewald Filho

Dono de uma memória prodigiosa, Rubens Ewald Filho impressionou milhões de telespectadores, ano após ano, durante a transmissão da cerimônia do Oscar, quando enfileirava os nomes de uma infinidade de artistas ligados ao cinema, bem como seus vastos currículos.

Para o público brasileiro, uma das grandes atrações do Oscar, além do resultado em si, era conferir a inesgotável cultura cinematográfica de Rubens por meio de comentários não “apenas” enciclopédicos como marcados por tom pessoal inconfundível – conforme evocado no livro “O Oscar e eu” (2003).

A projeção alcançada por Rubens se deve ao seu perfil comunicativo e ao trânsito por diversas mídias – jornais, rádios, emissoras de televisão. Vale lembrar que registrou seu extenso conhecimento em muitos livros, popularizados como sólidas fontes de consulta, a exemplo de “Os 100 melhores filmes do século 20”, “Os 100 maiores cineastas” e, principalmente, “Dicionário de cineastas”.

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A versatilidade de Rubens fica comprovada na variedade de funções que exerceu ao longo do tempo. Na crítica , terreno em que obteve maior repercussão, escreveu sobre os lançamentos em salas de cinema e também em vídeo, DVD e TV. Levou seu patrimônio cinematográfico para a Globo, Cultura e o mundo da TV por assinatura (HBO, Telecine, TNT). Esteve à frente de alguns dos mais relevantes festivais de cinema do Brasil – como consultor do Projeto Paulínia Magia do Cinema / Polo de Cinema e curador dos festivais de Gramado e Paulínia.

Ator em "Amor, estranho amor"

Parece bastante, mas ele fez bem mais. Acumulou experiência em outros setores. Dirigiu montagens teatrais – como “Hamlet-Gasshô”, apropriação da peça de William Shakespeare, “Querido mundo”, de Miguel Falabella, e “O amante de Lady Chatterley”, de D.H. Lawrence. Trabalhou, raramente, como ator – em “Amor, estranho amor” (1982), de Walter Hugo Khouri.

Rubens Ewald Filho
Divulgação
Rubens Ewald Filho

Escreveu roteiros de dois filmes: “A árvore dos sexos” (1977), em parceria com Carlos Alberto Soffredini, Eugênia de Domênico e Mauricio Rittner; e “Elas são do baralho” (1977), com Roberto Silveira e Adriano Stuart, dirigidos por Silvio de Abreu. Com ele, aliás, assinou a novela “Éramos seis”,  adaptação do livro de Maria José Dupré, exibida no SBT.

Não parou por aí: colaborou, de maneira significativa, para a preservação da memória ao assumir a coordenação geral da Coleção Aplauso, composta por biografias de atores e diretores e publicações de roteiros.

Anotações de cada filme em cadernos

Nascido em Santos, em 1945, Rubens não demorou a se interessar por cinema. Duas revistas o sensibilizaram particularmente: "Filmelândia" e "Cinelândia". Desde os 11 anos, anotou em cadernos cada filme que viu, escrevendo os títulos e as informações básicas. Transitou por áreas distintas —  Administração e Direito —, enfrentando, em casa, a oposição a seu desejo de trabalhar com cinema, profissão, contudo, que terminou ajudando no sustento familiar.

Rubens Ewald Filho
Divulgação/Pressphoto
Betty Faria recebe Troféu Oscarito no Festival de Gramado das mãos de Rubens Ewald Filho

Seja como for, o cinema se manteve em primeiro plano. Foi seduzido pelas produções a que assistiu na juventude, considerando as décadas de 1950 e 1960 como as mais promissoras. Recebeu influência de críticos como Moniz Vianna, Sérgio Augusto e, posteriormente, Rubem Biáfora.

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Além do Oscar, também comentou o Globo de Ouro e o prêmio do Sindicato dos Atores dos EUA.

Não há como resumir os feitos de Rubens Ewald Filho em poucas linhas, mas, de certo modo, uma expressão é suficiente para sintetizar toda a sua trajetória: paixão pelo cinema .