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Inicialmente exibido na TV por assinatura norte-americana, o drag show comandado por Rupaul causou um estímulo no mercado de produções queer

Ao zapear por serviços de streaming atualmente o consumidor pode encontrar uma gama de séries e filmes dedicados à comunidade LGBTQ+, mas nem sempre foi assim. Tudo começou quando um drag show apresentado por Rupaul Charles chegou à Netflix.

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Rupaul
Divulgação
Rupaul

Criado e idealizado pela drag queen Rupaul, o programa estreou na Logo TV , emissora dedicada a conteúdo LGBTQ + , em 2009. De sua primeira temporada até o sucesso que alavancou a onda de programas "coloridos" no streaming, o caminho foi longo.

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Apesar do notável crescimento do programa entre cada temporada, seja ele visual ou no formato do talent show, que foi inspirado em “America's Next Top Model”, foi apenas em 2016 que a atração conquistou um prêmio de grande relevância, seu primeiro Emmy Award na categoria Melhor Apresentador de Reality ou Programa de Televisão. Daí em diante, o fenômeno arco-íris estava instaurado, a arte drag foi catapultada para o mainstream.

Rupaul Charles
Reprodução Mirror
Rupaul Charles

Com a popularidade, a procura pelo programa tornou-se alta. Com exceção dos americanos que podiam assistir ao show pela Logo TV , admiradores de outros países, como o Brasil, buscaram assistir episódios e temporadas inteiras ilegalmente pela internet.

Provavelmente visando uma manobra de migração, a Netflix resolveu disponibilizar algumas temporadas de “Rupaul’s Drag Race” em seu leque de opções. Proposital ou não, a atitude fidelizou quem acompanhava o programa pela web e possibilitou expandir o público, já que quem não conhecia a atração pôde começar a conferi-la como, quando e onde quisesse.

Apesar de a empresa de streaming não divulgar seus índices de audiência, o fato de a plataforma sempre acrescentar temporadas novas, não retirar as antigas e investir em spin-offs denota um interesse alto pelo produto ao qual está disponibilizando ao público.

Com o conteúdo fazendo sucesso, o streaming de maneira geral resolveu apostar em um mercado pouco explorado até então, o queer . Após o fenômeno “Drag Race” chegar às plataformas, novos programas voltados para os representantes do arco-íris surgiram, como “Queer Eye” (que já está em sua terceira temporada), “Sense8”, “Special” e entre outros.

O estímulo foi tão grande que até o Brasil resolveu se aventurar nesta onda lançando “Super Drags” (2018), a primeira série animada brasileira dedicada ao público adulto, que inclusive detém referências, personagens, cenários e gírias advindas de “Drag Race”. No entanto, a obra acabou por gerar más reações e, mesmo sendo bem recebida por parte do público, não foi um sucesso de crítica, o que ocasionou em seu cancelamento precoce.

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Independente disto, “Drag Race”, apresentado até hoje por Rupaul , revolucionou o streaming ao mostrar que existe um mercado inexplorado e rico, que pode errar, mas que até o momento pode ser reconhecido por seus acertos.