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Formato narrativo de produções literárias pode ser a abertura para um mercado que segue em declínio anualmente no Brasil

Michelle Obama lançou em novembro “Minha História”, sua autobiografia que, desde então, é um sucesso ao redor do mundo. Traduzido para 24 idiomas, a publicação já vendeu mais de 10 milhões de cópias no mundo, feito raro em tempos de crise editorial.

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michelle omaba segura seu livro
Divulgação/Instagram
Livro de Michelle Obama ganhará narração de Maju Coutinho no Brasil, impulsionando audiolivros no país

No Brasil, o sucesso do livro também impressiona: “Minha História” está há 24 semanas na lista dos mais vendidos de não-ficção no País. Michelle Obama é sucesso absoluto e está na mente (e no Instagram) de muitas celebridades. Como se não fosse suficiente, a publicação da ex-primeira-dama no Brasil vai ganhar um audiolivro, narrado pela jornalista Maju Coutinho .

Maju anunciou a notícia no último domingo (09) comemorando o feito: “Imagine uma pessoa que te inspira e te fortalece. Imagine agora poder narrar a história dessa pessoa inspiradora”, elogiou. Ela ainda contou que a versão sonora será lançada no segundo semestre.

Reciclagem

capa da biografia de michelle obama
Divulgação
"Minha História" de Michelle Obama

As versões narradas de livro tem ganhado popularidade nos últimos anos por permitir acompanhar uma nova história sem necessariamente parar suas tarefas. A solução é útil para quem passa muito tempo parado no trânsito ou encara algumas horas de malhação ou qualquer outra atividade do dia a dia que não permitiria parar e ler um livro.

Consequência da vida cada vez mais agitada das pessoas, os audiolivros tem se tornado uma opção atrativa para os amantes de literatura. Não que isso seja algo novo. Afinal, quem não se lembra de Cid Moreira narrando a Bíblia em uma série de CDs lançados em 2002? Os álbuns venderam mais de 33 milhões de cópias desde então.

O projeto, porém, foi repaginado nos últimos anos e adaptado para a era do streaming. O Google só começou a vender audiolivros no Brasil em julho de 2018, e a “moda” ainda tem muito que prosperar.

Com um negócio em declínio , essa pode ser uma boa alternativa para a indústria editorial e, como melhor atrair atenção do que com celebridades? Maju Coutinho é respeitada e conhecida o suficiente para atrair interesse para o livro de Michelle Obama, mas a tendência de usar famosos tem sido replicada com certa frequência nos últimos anos.

“1808”, por exemplo, ganhou narração de Paulo Betti. O livro de Laurentino Gomes foi publicado em 2008 e tinha como objetivo lançar um novo e aprofundado olhar sobre a instalação da corte portuguesa no Brasil.

Já em 2015, um time com diversos famosos foi selecionado para narrar poemas de Carlos Drummond de Andrade. A coletânea tinha participação de Ney Latorraca, Mariana Ximenes, Cássia Kiss, Miguel Falabella, Tônia Carrero, Aracy Balabanian, Giulia Gam, Odete Lara, Drica Moraes, entre outros. 

Em 2018 foi a vez de uma audionovela ser lançada. Isso mesmo, como se fazia muitos anos antes no rádio, a Lafilms lançou uma narração com capítulos por meio da plataforma Ubook. Para ajudar a alavancar a nova criação, contou com Priscila Fantin, Bianca Rinaldi, Paloma Bernardi, Maytê Piragibe e André Ramiro para contar a história de “Os Bollogattos”.

Nem o esporte fugiu da tendência. “Instinto Selvagem”, a biografia do jogador de futebol Edmundo, lançada na última quarta-feira (12), tem versão audiolivro narrada por Emilio Orciollo Netto.

Salvação?

gisele bundchen sorrindo
Reprodução/TV Globo
Gisele Bündchen também é aposta para "Bombar" mercado de audiolivros com narração de seu livro, lançado este ano

É cedo para dizer se os audiolivros podem salvar a indústria. Apesar de não ser uma novidade, nos últimos anos essa solução tem sido levada mais a sério e disseminada como uma ferramenta - não para substituir o livro, mas principalmente atrair um público que já não entrava nas estatísticas de leitura antes.  

Nos EUA, o mercado de audiolivros faturou US$ 2,5 bilhões em 2017, um crescimento de 22,7% em relação ao ano anterior. Este ano, de acordo com uma pesquisa da Audio Publisher Association, metade da população americana já ouviu um audiolivro, proporção nunca alcançada antes.

No Brasil os dados ainda não são sólidos, e o mercado é escasso e dificultado por entraves financeiros, já que a produção de audiolivros custa caro. Ainda assim, a inclusão do formato no Google Play e o interesse de outros players internacionais indicam um negócio em expansão.

Além de Michelle Obama , outro nome que vai impulsionar o mercado é Gisele Bündchen, cujo livro de 2018 é um sucesso de vendas. Conforme novas empresas e iniciativas se unem a editoras, o catálogo de  audiolivros cresce, assim como as celebridades que emprestam suas histórias e suas vozes para garantir o futuro dos livros. Se não nas prateleiras, ao menos nos celulares e nos ouvidos.