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Sci-fi com Keanu Reeves que perguntava 'o que é a realidade?' estreou no Brasil em 21 de maio de 1999. Relembre a mitologia do longa-metragem

Quando "Matrix" estreou no Brasil, em 21 de maio de 1999, dois meses depois de chegar aos cinemas americanos, a internet ainda era discada e os primeiros celulares pré-pagos eram lançados, em modelos que ainda eram muito mais phoneque smart. Num mundo que ensaiava se tornar digital, as irmãs Lilly e Lana Wachowski (antes Andy e Larry, que se assumiram transgêneras em 2016 e 2012 ) apresentaram uma nova realidade, onde tudo o que conhecíamos como real não passava de uma ilusão.

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"Matrix"

Na trama, o hacker Neo (Keanu Reeves) descobre um mundo distópico, comandado por inteligência artificial, onde humanos são usados como fonte de energia pelas máquinas. Tudo o que parece verdadeiro é a Matrix , um programa implantado em nossas mentes para criar um mundo virtual. É nele que Neo, o escolhido, e o grupo de rebeldes comandado por Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss) vão enfrentar o exército cibernético do Agente Smith (Hugo Weaving).

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Após tomar a pílula vermelha, espectadores de todo o mundo mergulharam em uma trama que equilibrava tecnologia e filosofia, e que iria mudar completamente o cinema e a cultura pop pelos 20 anos seguintes. Destacamos ste fatos que mostram como "Matrix" transformou o mundo.

Mora na filosofia

Ao propor uma escolha entre o real e o que julgamos ser real, as irmãs Wachowski remetem à "Alegoria da Caverna", de Platão. O filósofo grego comparou o mundo com uma caverna onde só é possível ver as sombras dos objetos, sendo tomadas como realidade, enquanto o que está de fora permaneceria desconhecido. Outros filósofos, como René Descartes (1596-1650), autor da frase "Penso, logo existo", também estão entre as referências do filme. As Wachowski dão algumas pistas, como quando Neo esconde um disquete (!) no livro "Simulacros e simulação", de Jean Baudrillard.

Cenas de luta

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"Matrix"

Para lutar contra os agentes da Matrix, Neo recebe treinamento intensivo (e instantâneo) em artes marciais. Para estrelar o longa, Keanu Reeves realmente aprendeu mais de 200 golpes, sobretudo de Kung-Fu e Wushu. Coreografadas pelo chinês Yuen Woo-ping, as cenas de luta foram executadas pelos atores — Hugo Weaving passou por uma cirurgia de quadril ao ser ferido durante o treinamento, o que atrasou o cronograma de filmagens.

Bullet time

Além da trama complexa, o longa inovou nos efeitos especiais, com cenas de ação que desafiam as leis da física e o que o espectador vê na tela. Um dos efeitos mais impressionantes, o bullet time foi desenvolvido especialmente para o longa, e rapidamente apropriado por Hollywood, em outros longas de ação (como o primeiro "Homem-Aranha", de 2002), e inúmeras sátiras.

Sucesso de público e crítica

Com um custo de US$ 65 milhões, modesto para os atuais blockbusters de Hollywood, "Matrix" rendeu US$ 450 milhões e foi imediatamente incensado como um dos filmes icônicos da década de 1990. As sequências, cujas tramas não tiveram o mesmo impacto da produção original, faturaram, respectivamente, US$ 740 milhões ("Matrix reloaded") e 420 milhões ("Matrix Revolutions").

'Pitching' de US$ 10 milhões

As Wachowskis haviam pedido inicialmente um orçamento de US$ 80 milhões para a Warner, mas o estúdio ofereceu apenas US$ 10 milhões para as irmãs, que na época tinham no currículo apenas um longa como diretoras e outro como roteiristas. Elas então decidiram gastar todo o orçamento nos primeiros 10 minutos do filme, em vez de usar para rodá-lo totalmente. Quando os executivos viram o resultado, decidiram liberar o restante do orçamento.

Visual ciberpunk

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"Matrix"

Para criar um universo que se passa no futuro, mas que na Matrix aparenta ser o que consideramos como o presente, as diretoras precisavam equilibrar os figurinos entre as duas realidades. Assim, os rebeldes ganharam um visual cyberpunk que permanece em alguns elementos quando estão interagindo na Matrix, como os sobretudos e os óculos escuros, desenvolvidos especialmente para o longa.

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No futuro, a Austrália

A produção precisava de uma grande metrópole para ambientar as cenas de ação, que ocorrem em meio à população, que continua ignorando a existência de uma realidade paralela. Assim como todo o figurino e cenários, era necessário manter a atemporalidade, para que o longa não ficasse datado. Por razões fiscais, todo o longa foi rodado em Sidney, para reduzir o orçamento, mas na ficção os nomes das ruas vêm de Chicago, onde as Wachowskis cresceram.