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Empresa abriu números de audiência e mostrou que ainda é capaz de conquistar novos assinantes, mas desaceleração preocupa no médio prazo

Depois dos anúncios de Apple e Disney sobre suas respectivas plataformas de streaming, e a inevitável repercussão no mercado acionário, a Netflix precisou sair a campo para sinalizar ao mercado que não há razão para alarde. Reed Restings, CEO da empresa, comparou a "guerra do streaming" à migração para a TV a cabo nos anos 90 e disse que há espaço para muitos players.

Ted Sarandos
The Hollywood Reporter/reprodução
Ted Sarandos, chefe de conteúdo da Netflix, fala a investidores

Restings disse, ainda, que quem está chegando agora é que vai precisar correr atrás, já que a Netflix é líder de mercado.  Ele não está errado. Muitos veem na polarização com a Disney uma derrocada da gigante do streaming , mas esses arautos do apocalipse já faziam essa previsão quando a Amazon se aventurou com o Prime Video.

No entanto, há indícios suficientes para crer que as coisas vão, sim, mudar. Pelo menos um pouco. A Netflix mostrou que aumentou sua base de assinantes acima do previsto por analistas no último trimestre, mas também mostrou que já há desacaleração mesmo antes da entrada desses novos players no cenário.

O chefe de conteúdo da empresa, Ted Sarandos, abriu números de audiência de diversas produções lançadas em 2019, um hábito que a Netflix não cultiva, mas que talvez precise mudar sob a luz dessa nova e acirrada competição, e comemorou que as dez produções mais assistidas na plataforma são conteúdos originais. 

"Operação Fronteira",  por exemplo, foi visto por mais de 52 milhões de assinantes nas três primeiras semanas de lançamento. É mesmo um dado assombroso e que estimula confiança nos produtos da companhia. 

Imagem promocional do filme Operação fronteira
Divulgação
Imagem promocional de Operação Fronteira

De todo modo, essa disposição da empresa em abrir dados e buscar um diálogo com viés de tranquilização com investidores demonstra que a empresa sentiu o golpe. A plataforma da Disney, com vasto conteúdo exclusivo e uma aposta gradativa e hypada em produções originais, será lançada custando menos do que o plano mais barato da Netflix nos EUA. 

O Apple + , por seu turno, parece contar com amplo apoio de Hollywood, já que se cercou de figuras como Steven Spielberg, que vinha antagonizando com a empresa gerida por Restings , Oprah Winfrey e Reese Witherspoon. 

A Netflix não vai deixar de ser líder de mercado do dia para a noite, é claro, mas se quiser manter sua posição de destaque, conquistada com muita inteligência, investimento e estratégia, vai precisar se mexer. E ser mais transparente com seus dados, conteúdos, sucessos e fracassos parece um movimento inerente a essa realidade. Ou faz isso no curto prazo ou será regulada por um mercado que está se pavimentando apesar dela.