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Sem prévia experiência atuando, Yalitza Aparicio arrebatou a temporada e surgiu como uma bem-vinda novidade com sua performance em “Roma”

O estado de Oaxaca é o quinto maior do México. A região é conhecida por suas populações indígenas, entre elas os Mixtecas e Istmos, que ocupam cidades como Tlaxiaco. Foi lá que, em 1993 nasceu Yalitza Aparicio. Com uma irmã mais velha e filha de uma empregada doméstica, Aparicio viu sua mãe trabalhar limpando casas para ajudar a sustentar ela e a irmã.

Yalitza Aparicio
Reprodução/Instagram
Yalitza Aparicio

Aos 23 anos, ela estava concluindo os estudos para se tornar professora infantil quando sua irmã sugeriu que fizesse teste para um filme. Na época, Yalitza Aparicio não conhecia Alfonso Cuarón e chegou a duvidar se o teste não era um esquema enganoso.

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Não era. Tratava-se de uma seleção para viver a protagonista de “ Roma ”, novo filme do diretor mexicano que estreou na Netflix em dezembro de 2018 e na última semana recebeu 10 indicações ao Oscar , inclusive de Melhor Atriz para Aparicio.

Mas o caminho até o Oscar não foi glamuroso, muito menos esperado. Quando Cuarón contou que ela tinha conseguido o papel de Cleo – uma empregada doméstica de uma família de classe média alta na Cidade do México dos anos 1970 – ela não aceitou imediatamente. Ao The New York Times Cuarón comentou que ela pediu um tempo para pensar e acabou aceitando já que “não tinha nada melhor para fazer”.

Yalitza Aparicio
Reprodução/Instagram
Yalitza Aparicio

O trabalho de Yalitza é delicado e vigoroso ao mesmo tempo. Embora o diretor tenha grande influência nisso, criando um ambiente natural e favorável à improvisação, é impossível não conectar Cleo com a história de sua própria criadora.

Sua mãe ainda trabalha como empregada doméstica, e em uma entrevista ao The Guardian ela contou que muitas vezes ajudou a mãe para que ela terminasse as tarefas mais cedo. “O filme é um tributo às mulheres no geral. Essas mulheres invisíveis no lar, cuidando das crianças”.

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O fenômeno Yalitza Aparicio

Yalitza Aparicio em
Divulgação
Yalitza Aparicio em "Roma"

Desde terça-feira (22) quando saíram as indicações ao Oscar, Yalitza quebrou barreiras. É a primeira indígena indicada na categoria e a segunda mexicana. Antes disso, ela se tornou a primeira indígena a estampar a capa da Vogue ao estrelar a edição mexicana da revista.

“Receber essa indicação seria uma quebra de tantas ideias. Abriria portas para outras pessoas, para todos, e aprofundar a conversa sobre podermos fazer essas coisas agora”, ela disse ao Times antes das indicações saírem.

Aos 25 anos, ela viu sua vida virar de cabeça para baixo, mas em nenhum momento pareceu deslumbrada, seja por que não achava que podia, ou por que sua realidade mostra que as coisas nem sempre funcionam como sonhamos. “Quando as filmagens acabaram, eu achei que era isso. Achei que provavelmente eles nos chamariam para assistir o filme”, ela contou ao site WWD .

Dois anos depois, ela cita as viagens pelo mundo como uma das boas consequências desse momento. Ao ser perguntada sobre as compensações financeiras de fazer “Roma”, ela foi categórica: minha prioridade é ajudar minha mãe, depois eu penso se compro algo para mim”.

Daqui em diante

Yalitza Aparicio
Reprodução/Instagram
Yalitza Aparicio

“O que eu descobri é que tanto o cinema quanto o que eu fazia antes (lecionar) são modos de educar as pessoas”, ela comentou com o WWD . Sendo assim, ela ainda não fez planos para o futuro, embora não descarte continuar na carreira, ou voltar para os estudos. “Eu estou aproveitando o momento, indo com a corrente. Eu ainda não tive tempo para me desesperar pensando no futuro”.

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Seja como for, a performance de Yalitza Aparicio e sua consequente apreciação no meio, significam muito para esse desejo cada vez maior em Hollywwod por inclusão e representatividade. E sua Cleo é inspiradora, mostrando que ela é uma estrela de verdade.

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