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Produção que estreia nesta quinta-feira (24) nos cinemas brasileiros mostra que a Disney não é infalível e que dar mais liberdade a seus artistas talvez seja um caminho necessário para garantir longevidade da franquia

A produção de “Han Solo: Uma História Star Wars” foi bastante tumultuada com demissão de diretores, queixas de falta de comprometimento, refilmagens, entre outras intrigas. Toda essa consternação se reflete em um filme pouco coeso e cheio de gargalos.

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Cena de Han Solo: Uma História Star Wars, que estreia nesta quinta-feira (24) nos cinemas brasileiros
Divulgação
Cena de Han Solo: Uma História Star Wars, que estreia nesta quinta-feira (24) nos cinemas brasileiros

Ron Howard (“O Código Da Vinci” e “Uma Mente Brilhante”) assumiu a direção do longa-metragem em junho do ano passado e viu a pressão aumentar já que a estreia estava marcada para maio de 2018 e todo um cronograma de refilmagens era necessário. “Han Solo: Uma História Star Wars” entrega sua produção apressada em cada poro. Entrega, também, que é um filme de produtor. A Disney parece ter renunciado de vez a qualquer vestígio de autoralidade em nome da pasteurização da franquia.

Assim como “Rogue One”, este filme derivado se passa antes da série clássica, mas diferentemente da fita estrelada por Felicity Jones, recupera a juventude de um personagem da trilogia original. Alden Ehrenreich assume o personagem imortalizado por Harrison Ford e demora a encontrar o tom, mas quando consegue o faz com graça e assertividade.

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Teia de problemas

A Millennium Falcon em ação
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A Millennium Falcon em ação

O maior problema do filme talvez seja seu viés infantil para um personagem que não necessariamente tenha seu maior apelo junto a crianças. Este é o filme mais infantil de toda a franquia. Não obstante, a ação é pouco imaginativa e o humor raramente funciona. As resoluções são previsíveis e mais alongadas do que precisariam ser. Um descompasso que joga contra o filme no contexto histórico, ainda que pouco incomode em um primeiro momento.

O filme tenta sem sucesso emular o espírito de matinê, mas consegue ser mais cativante a partir do momento que Lando Calrissian, interpretado por Donald Glover com o charme que lhe é característico, surge em cena. De alguma maneira o longa se apequena diante de sua persona e parece um longo teste para que o personagem ganhe seu próprio filme.  

Donald Glover em Han Solo: roubando cenas
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Donald Glover em Han Solo: roubando cenas

Até mesmo Ehrenreich flui melhor como Solo a partir do momento que contracena com Glover. Já Emilia Clarke trabalha mal a ambiguidade de sua personagem, que tem um passado mal resolvido com Solo, e isso talvez possa ser creditado às mudanças de rumo que assolaram a produção do filme.

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“Han Solo: Uma História Star Wars” não é um filme ruim, mas é um filme problemático e que sugere que a Disney, na ânsia por dominar inteira e intransigentemente sua propriedade intelectual, pode corrompê-la. Este é um filme que deixará os fãs felizes; afinal, não tem como errar ao mostrar o primeiro encontro de Solo e Chewbacca, mas também os deixa com uma dúvida preocupante (para os negócios do estúdio): realmente queremos ver mais disso?

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