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Dois dos principais indicados ao Oscar 2018 versam sobre ritos de passagem e mostram as dores e dissabores do amadurecimento; confira

"Me Chame pelo seu Nome" e "Lady Bird" são dois longas indicados para o Oscar de Melhor Filme que tem em comum tanto o tema do rito de passagem como o ator Timothée Chalamet, que foi indicado para a categoria de Melhor Ator pela produção de Luca Guadagnino, "Me Chame pelo seu Nome", a qual também concorre na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.

Cenas dos filmes Lady Bird (dir) e Me Chame Pelo Seu Nome (esq), ambos indicados ao Oscar 2018
Reprodução
Cenas dos filmes Lady Bird (dir) e Me Chame Pelo Seu Nome (esq), ambos indicados ao Oscar 2018

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"Me Chame pelo seu Nome" conta a história de Elio Perlman (Timothéé Chamalet), um adolescente que vive com sua família em uma charmosa vila Italiana nos anos 80. Embora Elio pareça maduro para um garoto de 17 anos, ao longo do filme percebemos que ainda é muito inexperiente em relacionamentos amorosos. Quando Oliver (Armie Hammer) chega na vila como estudante de doutorado de seu pai (que é professor especializado em cultura Greco-Romana), Elio começa a se apaixonar e encontrar emoções que não havia sentido antes.

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Com o diretor italiano Luca Guadagnino por trás da produção do filme, "Me Chame pelo seu Nome" adquire um estilo bastante característico do cinema europeu. Com câmeras pacientes e que deixam a ação se desenrolar sem pressa, conhecemos a dor e a alegria do protagonista quase que em tempo real. Mais importante, há um forte uso de metáforas e comparações visuais que indicam o estado mental e sentimental do protagonista como, por exemplo, o constante modo em que o diretor foca na água, na natureza e na vila italiana do século 17 para comunicar os sentimentos mais pessoais de Elio.

Me Chame Pelo Seu Nome
Divulgação
Me Chame Pelo Seu Nome

Assim como em "Me Chame pelo seu Nome", a protagonista de "Lady Bird" não demonstra ter maturidade em relação aos relacionamentos. Porém, diferentemente de Elio, a própria família da protagonista se torna um obstáculo contra este amadurecimento. O resultado é uma adolescente que se sente completamente fora de sua comunidade. É com a vontade incrível de se afirmar em um mundo que não vê como seu que Christine (Saoirse Ronan) decide se chamar Lady Bird.

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Esta atitude não a ajuda em relacionamentos. "Lady Bird" é extremamente inocente e não consegue julgar bem quem escolhe para compartilhar suas emoções. Porém, mais do que em "Me Chame pelo seu Nome", que se foca principalmente no relacionamento amoroso adolescente, "Lady Bird" também se concentra na relação da protagonista com sua mãe controladora, que amadurece com a garota.

Divulgação
"Lady Bird"

Enquanto "Me Chame pelo seu Nome" é claramente um filme europeu, a diretora e também atriz Greta Gerwig deu ao longa o estilo do cinema independente americano visto bastante em festivais como Sundance. As câmeras da produção são contemplativas e também deixam as ações se desdobrarem mais do que pode se ver em outros títulos mais tradicionais. Porém, as próprias ações dos personagens, que são excêntricos, muitas vezes quebram esta contemplação como, por exemplo, para evitar um argumento com sua mãe, "Lady Bird" se joga do carro em movimento.

Com tantos filmes de estilos diferentes no Oscar 2018, é difícil prever qual será o ganhador ou se um destes dois mencionados ganharão o prêmio. Se a decisão ficar entre "Me Chame pelo seu Nome" e "Lady Bird", saberemos que a competição é entre o cinema europeu e o cinema independente americano.

Daniel Bydlowski é cineasta brasileiro e artista de realidade virtual com Masters of Fine Arts pela University of Southern California e doutorando na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. É membro do Directors Guild of America. Trabalhou ao lado de grandes nomes da indústria cinematográfica como Mark Jonathan Harris e Marsha Kinder em projetos com temas sociais importantes. Seu filme NanoEden, primeiro longa em realidade virtual em 3D, estreia em breve.

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