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Novo filme de Todd Haynes, que foi destaque em Cannes, é uma experiência estética singular e um filme de rara beleza. Longa já está em cartaz nos cinemas brasileiros

Todd Haynes é um cineasta de capricho e sensibilidade singulares e “Sem Fôlego” é seu filme mais expressivo dessas qualidades. Delicado e tenro, o filme se desenrola em duas linhas temporais distintas e tem o protagonismo de crianças que não podem ouvir. O desenho desse universo peculiar, regido primordialmente no silêncio, ainda que o longa conte com um design de som arrojado e fundamental para os efeitos narrativos objetivados, é o que Haynes oferta de maneira poética a seu espectador.

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“Sem Fôlego”  é um filme experimenta no âmbito estético
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“Sem Fôlego” é um filme experimenta no âmbito estético


“Sem Fôlego” é, portanto, um filme experimenta no âmbito estético, mas que se alinha tematicamente à filmografia do homem por trás de obras sensíveis e emocionais como “Carol” (2015), “Não Estou Lá” (2007) e “Longe do Paraíso” (2002). Personagens que tentam se encontrar, em si mesmos, mas também nos outros, movem o cinema do americano e aqui ganham vivacidade e beleza no roteiro que Brian Selznick adapta da própria novela. Trata-se do mesmo escritor e roteirista de “A Invenção de Hugo Cabret” (2011).

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Ben (Oakes Fegley) fica surdo após ser atingido por um raio. A solidão reforçada pela recém-chegada surdez é o gatilho que faltava para que ele se lance em uma jornada por informações a respeito de seu pai na nova York dos anos 70. Em paralelo, vemos a história de Rose (Millicent Simonds, que é surda de verdade) na mesma Nova York dos anos 20 em preto e branco como um filme mudo dos anos 20. Ela também se engaja em uma jornada por nova York em busca da mãe, uma atriz consagrada vivida por Julianne Moore, que pouco lhe dá atenção.

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"Sem Fôlego"


“Sem Fôlego” exige alguma paciência do espectador. Não é um filme que se revela prontamente e é difícil intuir sua moral, ainda que se antecipe uma ou outra coisa a respeito de seus rumos. Haynes filma tudo com singeleza e comedimento e confia no naturalismo de seus protagonistas infantis, bem como no som e na fotografia como artífices narrativos. Trata-se de uma direção bem diversa daquelas que costumamos admirar, mas não menos admirável.

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A beleza de “Sem Fôlego” quando surge nos embevece forte com sua deferência ao espírito humano e sua paixão pela inocência tão bem agasalhada pela infância. 

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