O desafio estava posto. Após e multipremiada e elogiadíssima primeira temporada de “American Crime Story” , Ryan Murphy precisaria de algo tão midiático quanto o julgamento de O.J Simpson para manter o interesse do público vivo por sua antologia. A ideia de sempre ter algo de grande mobilização social pauta os temas da série e o furacão Katrina era a escolha para o segundo ano. Problemas no roteiro e na pré-produção fizeram com que a trama sobre o assassinato do estilista italiano Gianni Versace, programada para a 3ª temporada do programa, viesse antes.

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Imagem promocional do 2º ano de American Crime Story

“O Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story” estreia nesta quinta-feira (18), às 23h, no canal FX sob grande expectativa. Serão dez episódios que, embora obedeçam a mesma organização narrativa do primeiro ano, têm uma estrutura diferente a ser desenvolvida. Se no 1ºano tínhamos um julgamento de grande propulsão racial, o mote aqui é a caçada a um serial killer, Andrew Cunanan, que fez do famoso estilista sua quinta e última vítima. Além de um olhar algo especulativo na intimidade da família Versace. Em comum entre as duas temporadas da criação de Murphy, o circo midiático. Inegavelmente, esse aspecto é um dos trunfos da narrativa da série.

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O iG já assistiu aos dois primeiros episódios da série e é possível afirmar que o esmero estético é um fator determinante do novo ano, que mergulha tanto na cena gay da Miami dos anos 90 – e as paletas coloridas e quentes são um bom termômetro visual dessa condição – como na mente de Andrew Cunanan. Afinal, ele é a principal ancora narrativa do 2º ano. Grande parte da trama se desenrola a partir de sua perspectiva. Nesse sentido, a performance de Darren Criss (“Glee”) é providencial. Este é o maior desafio da carreira do ator e a julgar pelos dois primeiros episódios, ele está dando conta.

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Darren Criss ganha a chance de brilhar como o real protagonista de O Assassinato de Gianni Versace

O Andrew Cunanan de American Crime Story é um narcisista e mentiroso patológico. A maneira como a série vai descortinando sua sociopatia é sedutora e o trabalho de Criss é vital nesse processo. Outro recorte com bom potencial diz respeito justamente à dinâmica familiar entre Donatella – vivida por Penélope Cruz em seu primeiro papel na TV - e Gianni (Édgar Ramírez). As tensões a respeito da excentricidade da rotina sexual de Gianni e seu namorado Antonio D´Amico, vivido por Ricky Martin, das restrições de Donatella a certos hábitos e estratégias de seu irmão quanto aos negócios, entre outras coisas tendem a provocar erupções. Não à toa a família Versace já desautorizou a produção . O retrato que emerge da família em “O Assassinato de Gianni Versace” não é lisonjeiro.

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Resta saber se a série terá fôlego para dez episódios. Os flashbacks devem ser um recurso mais usual e ativo nesta temporada do que foram na anterior e aqui não existe uma dúvida a se alimentar como havia na primeira temporada a respeito da inocência ou culpa de O.J. O fetiche por serial killers e a curiosidade mórbida pela intimidade de uma família abastada bastarão? Serão essas as respostas que “O Assassinato de Gianni Versace” terá que dar.

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