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Ator belga estrela produção cheia de metalinguagem em que revela que na verdade sempre foi um espião e que a fama era fachada para salvar o mundo

Um dos maiores astros do cinema de ação na década de 90, o belga Jean-Claude Van Damme sentiu as dores do ostracismo nas décadas seguinte. O último filme protagonizado pelo ator, hoje com 57 anos, a ser lançado no cinema foi “Replicante” em 2001. De lá para cá, o máximo de visibilidade que o belga dispôs foi quando ensaiou um inusitado canto do cisne no filme permeado de metalinguagem “JCVD” (2008), em que interpretava um astro decadente (ele mesmo) e em “Os Mercenários 2” (2012), como o vilão da fita pensada como um revival da ação dos anos 80 por Sylvester Stallone.

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Cena de
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Cena de "Jean-Claude Van Johnson

Em 2017, Jean-Claude Van Damme volta à ação na série “Jean-Claude Van Johnson” , disponível na Amazon Prime Video , plataforma de streaming da Amazon. A série criada por Dave Callaham, roteirista de “Os Mercenários”, coloca Van Damme como o astro em decadência que ele é, com os problemas emocionais que intuímos que um ator com sua história de vida ostente, ensaiando um retorno aos holofotes para disfarçar o verdadeiro retorno objetivado por ele: à rotina de espião. Isso mesmo. Van Damme sempre foi um espião. O job em Hollywood era só fachada.

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Jean-Claude Van Damme tenta reconquistar um grande amor em
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Jean-Claude Van Damme tenta reconquistar um grande amor em "Jean-Claude Van Johnson"

O próprio retorno como espião, na verdade, atende interesses do coração. O belga tenta se aproximar de Vanessa (Kat Foster), com quem trabalhou nos áureos tempos, mas imaturamente deixou passar a oportunidade de viver a história de amor que ambos ansiavam.

“Jean-Claude Van Johnson” recupera uma estrutura que o ator já tinha trabalhado em “JCVD”, um projeto mais autoral e terapêutico do que o é a série da Amazon. Apesar de a metalinguagem continuar sendo a tônica, aqui Van Damme ri de si mesmo com um desapego apenas possível para quem já superou Hollywood e suas seduções. Há uma piada no primeiro episódio com Nicolas Cage que é impagável. Durante toda a primeira temporada, composta por seis episódios de meia hora, há diversas referências ao legado de Van Damme no cinema e ao cinema de ação que veio depois de sua fase de ouro - a brincadeira em cima de "Velozes e Furiosos" no 2º episódio é sensacional .

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Van Damme em "O Alvo" (1994), época em que o astro belga reinava no cinema de ação

Nesse sentido, “Jean-Claude Van Johnson” é um programa mais inteligente do que aparenta ser, mas a peteca cai um pouco na metade final da temporada. O viés satírico perde força e o programa começa a se levar mais a sério do que deveria. De todo modo, Jean-Claude Van Damme está aí fazendo cenas de ação e sobrevivendo na pilha de um senso de humor que a nova geração, de astros de ação, mas também àquela que lhe dá ibope, parece não apreciar.

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