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"Manifesto" aborda e atravessa ideias de artistas de diferentes movimentos. Produção estreia nos cinemas do País nesta quinta-feira (26)

“Lógica é uma complicação. Lógica é sempre errada. Casada com a lógica , a arte poderia viver um incesto, engolindo sua própria calda, ainda que faça parte de seu corpo, devorando a si mesma”. A frase é de Tristan Tzara, poeta judeu e um dos precursores do dadaísmo, e está em “Manifesto”, filme de J ulian Rosefeldt , tanto homenagem como compilação dos manifestos artísticos ao longo da história da humanidade.

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Divulgação
"Manifesto" coloca a arte como o elemento comum nas colagens reunidas por Rosefeldt

O longa aborda e atravessa as ideias de artistas de diferentes movimentos e plataformas como Claes Oldenburg, Yvonne Rainer, Kazimir Malevich, André Breton, Sturtevant, Sol LeWitt e Jim Jarmush. A arte é o elemento comum nas colagens reunidas por Rosefeldt em “ Manifesto ”, mas também a interposição com a política e demais aspectos da vida.

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“Arte requer verdade, não sinceridade”

Cate Blanchett surge na pele de 13 personagens. Ela não os necessariamente interpreta, mas os ocupa. Dona de uma presença cênica poderosa, mas também sutil, subliminar, a australiana está presente obviamente em todas as cenas – ela é a única atriz creditada no longa. Plural e polivalente, a atriz surge em monólogos ou em performances essencialmente físicas enquanto sua voz grave e séria ecoa em offs poderosos.

Reprodução
"Manifesto" estreia em 26 de outubro

A professora de colégio, a marionetista, o sem-teto, a religiosa, a jornalista... Cate Blanchett dá o sopro dramático, com sotaques, com ironia, com raiva ou tédio, necessário ao texto tão bem alinhado por Rosefeldt.

Hermético e sem disfarçar o ranço por trás desses pensamentos, “Manifesto” é um projeto essencialmente artístico. Um filme-laboratório que se pretende um elogio para todos aqueles que confrontam o estável, o cíclico, o oportuno.

“Faço um manifesto porque não tenho nada a dizer...”

“A vida é o passado e o futuro, mas o presente é arte...”, brada Cate Blanchett , como professora aos seus alunos, todos crianças, em um dado momento do longa. “Manifesto” existe por ele mesmo, para operacionalizar um pensamento crítico que consiste no agregamento de outros tantos.

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Do surrealismo à Pop art, passando pela arquitetura, minimalismo e situacionismo, “Manifesto” é um painel vigoroso do talento de uma atriz incansável no propósito de desafiar a si mesma, e de uma sociedade que tem na arte seu instrumento de valoração.

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