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Sequência do surpreendente hit de 2015 é maior, mais ambiciosa e mais comum também. A despeito da boa vontade de público e crítica, longa de Matthew Vaughn decepciona muito em virtude das altas expectativas

Taaron Egerton em cena de Kingsman: O Círculo Dourado, que estreia na próxima quinta-feira (28) nos cinemas brasileiros
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Taaron Egerton em cena de Kingsman: O Círculo Dourado, que estreia na próxima quinta-feira (28) nos cinemas brasileiros

Em meio à profusão de filmes de super-heróis, a década tem sido generosa com filmes de ação criativos e bem-humorados. Qualquer fã do gênero vai citar  “De Volta ao Jogo” (2014), em que Keanu Reeves faz um matador profissional de volta à ativa após a máfia russa matar seu cachorro (!) e  “Kingsman: Serviço Secreto” (2015) como dois pontos altos nos últimos anos. Curiosamente as sequências de ambos os filmes foram programadas para 2017 e a chegada de “Kingsman: O Círculo Dourado” não poderia ser mais alusiva do quão problemática é a cultura de sequências em Hollywood.

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Não que “O Círculo Dourado” seja ruim. Não é o caso. Apesar de contar com Matthew Vaughn na direção, privilégio que o bem-sacado “Kick Ass – Quebrando Tudo” (2010) não teve, o novo filme, por mais que tente, não consegue se aproximar do original. Esteja a abaliza no desenho da ação, no tom do humor ou mesmo no alinhamento da trama.

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O intercâmbio entre Kingsman e Statesman é um dos atrativos do novo filme
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O intercâmbio entre Kingsman e Statesman é um dos atrativos do novo filme

Apesar do orçamento inflado, do elenco estrelado e de já contar com a boa vontade do público, além de ter a divônica Julianne Moore como vilã – um chamariz e tanto, convenhamos – o novo “kingsman” falha em tudo aquilo que soava novo, pulsante e sedutor no filme original. A participação de Elton John é um bom parâmetro para o que acontece no filme; começa esperta, carregada no sarcasmo e vai ficando cafona e boba com o tempo. 

A cena inicial, uma coqueluche de ação em uma cena de luta extremamente bem coreografada em um carro em movimento, desperta as melhores das expectativas, mas conforme a trama avança, as expectativas se convertem ou em condescendência ou em enfado.

Julianne Moore em cena de O Círculo Dourado
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Julianne Moore em cena de O Círculo Dourado

Desde a justificativa para Harry (Colin Firth) ainda estar vivo, até as motivações da vilã vivida por Moore, há muito a se contestar na narrativa. Se há uma boa piada é o presidente americano vivido com histrionismo por Bruce Greenwood. Construído antes de Trump ascender à Casa Branca, seu presidente parece assustadoramente premonitório. É este personagem, muito bem talhado por texto e ator, que remete ao brilhantismo do Valentine de Samul L. Jackson no filme original.

A trama

Os kingsman são abatidos por Poppy (Moore), uma vilã apaixonada pela essência dos anos 50. Eggsy (Egerton) e Merlin (Mark Strong) precisam recorrer aos Statesman, a agência secreta Americana equivalente aos Kingsman, para descobrir e combater a nova ameaça.

As participações especiais são saborosas, claro. De Channing Tatum a Pedro Pascal, passando por Halle Berry, Jeff Bridges e Michael Gambon. Mas Taaron Egerton continua sendo o showman absoluto e, como já provara no original, ele dá conta do recado. A se lamentar, apenas o fato de “O Círculo Dourado” não estar à altura de seu leading man.