Tamanho do texto

Além da edição no Rio de Janeiro, festival também foi para Espanha, Portugal e Estados Unidos; analista explica os acertos e os erros do RiR no exterior

A partir de 15 de setembro, o Rio de Janeiro recebe sua sétima edição do Rock in Rio . Mas, apesar de levar a Cidade Maravilhosa no nome, o festival teve mais edições fora da capital fluminense. Levando em conta as três outras cidades que receberam o evento, foram 11 edições fora do País – e mais três ainda estão por vir.

Leia também: “Não gosta, não contrata”, diz Anitta sobre polêmica de show no Rock In Rio

O Rock in Rio teve seis edições em Lisboa e terá mais uma em 2018
Divulgação
O Rock in Rio teve seis edições em Lisboa e terá mais uma em 2018

Depois de se tornar uma referência no Brasil, o Rock in Rio alçou voos maiores, muito maiores. Em 2004, o festival teve sua primeira edição em Lisboa, em Portugal, e de lá partiu para Madrid, na Espanha, e Las Vegas, nos Estados Unidos. Mas a estratégia de internacionalização do Rock in Rio foi a mais acertada?

Leia também: Atração do Rock In Rio 2017, DJ Bruno Martini prepara voo solo com nova música

Para Afonso Marcondes, especialista em music business e fundador da Sync Originals, a estratégia poderia ter sido melhor. Para ele, a escolha dos países não foi muito acertada. "O que é Portugal para o público jovem da música na Europa? Nada. Se essa escolha do RiR teve a ver com o fato do festival ser Brasileiro e ter artistas brasileiros, poderia justificar", explicou em entrevista ao iG .

Força

Acostumado com festivais europeus, Marcondes morou por 23 anos em Londres, na Inglaterra. Lá, ele frequentou edições do Glastonbury e viu de perto o nascimento do Lovebox, um dos maiores festivais do país. "Acho as edições internacionais do festival um pouco fracas", cravou.

Entretanto, os nomes dos lineups do RiR na Europa não são ruins. Na edição de Lisboa do ano passado, os headliners foram Bruce Springsteen & The E Street Band, Queen + Adam Lambert, Hollywood Vampires, Korn, Maroon 5 e Avicii. Mesmo assim, esse lineup não é páreo para concorrer contra os grandes festivais do continente, como Primavera Sound e Glastonbury.

Em 2015, o RiR passou por uma mudança fora do Brasil: a edição de Madrid foi cancelada e deu lugar para a de Las Vegas. Os nomes também foram fortes: No Doubt, Metallica, Linkin Park, Foster the People, Taylor Swift, Ed Sheeran, Bruno Mars e Joss Stone. Mas o festival não deu muito certo.

"Ficou claro o erro. A cidade atrai público constantemente em busca de atrações, mas são atrações diferentes, para uma faixa demográfica mais velha", explica Marcondes. A imprensa americana mostrou que o festival ficou abaixo das expectativas: de acordo com o  Las Vegas Review Journal , o evento recebeu 140 mil pessoas, mas esperava receber 328 mil. Isso acarretou perdas de cerca de US$ 28 milhões (R$ 88 milhões), 40% a mais do que o esperado.

Leia também: Rock in Rio marca estreia do 5 Seconds of Summer no Brasil: "Será incrível"

O Rock in Rio Las Vegas aconteceu pela primeira vez em 2015
Reprodução/Flickr
O Rock in Rio Las Vegas aconteceu pela primeira vez em 2015

Apesar das críticas, Afonso Marcondes vê com bons olhos a internacionalização do Rock in Rio. "Isso é positivo pois eleva o status do music business no Brasil como algo sério, rentável, e ajuda a atrair investidores para outros festivais", disse.

América Latina

Entretanto, ele acredita que a estratégia poderia ter sido outra, focando no mercado latinoamericano, por exemplo. "Os gostos musicais das audiências, por exemplo, evidencia isso. No Brasil e na América Latina em geral, existe essa paixão pelo o que chamamos de 'dinossauros', as bandas velhas. Isso por si só teria garantido lucro imediato, viabilizado melhor acordos com as bandas e com marcas", disse. Essa é a estratégia que o Lollapalooza usa. O festival americano estreou na América do Sul em 2011, com uma edição no Chile, e hoje já está no Brasil e na Argentina.

Para Afonso Marcondes, o Rock in Rio evidencia como o music business é tratado no Brasil. "O Brasil precisa urgentemente sair da idade da pedra e entender que a indústria da música pertence aos jovens. Dá muito lucro. Não existe eu, com 50 anos, ligar a rádio e ouvir Paralamas e Gil até hoje, ou assistir a volta dos Tribalistas", resumiu.

    Leia tudo sobre: músicas