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De "Twin Peaks" a documentário sobre Nine Inch Nails, David Lynch impõe seu estilo único em tudo o que se propõe a fazer: cinema, televisão e música

Com a ascensão da televisão nos últimos anos, o que não falta são opções para todos os gostos: minisséries históricas, dramas épicos (e com dragões), comédias sobre uma prisão feminina, um casal da KGB infiltrado nos EUA e assim por diante. As possibilidades são muitas, e a maneira de assistir a isso também mudou. Porém, nos anos 1990, não era assim. E é por isso que o sucesso de “ Twin Peaks ”, na época, foi tão impressionante.

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David Lynch marcou seu nome como um dos maiores do cinema, mas também se destaca na televisão e na música
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David Lynch marcou seu nome como um dos maiores do cinema, mas também se destaca na televisão e na música

Criada por David Lynch e Mark Frost, a série trouxe todas as características peculiares de Lynch para um público menos familiarizado com seu trabalho, e deu certo. Mesmo criticada em seus ano seguinte e, eventualmente cancelada, “Twin Peaks” ganhou status de série cult e figura, até hoje, nas listas de maiores séries da televisão.

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Mas, se “Twin Peaks” virou um fenômeno, o crédito é dos criadores, incluindo Lynch. O diretor , que já tinha seu nome entre os maiores do cinema, fez uma bem sucedida incursão no mundo televisivo e mudou a maneira como as séries eram feitas.

Em 1990, quando a série foi ao ar, estreavam também “Barrados no Baile” e “Um maluco no Pedaço”. Nesse ano, a maior audiência da TV nos EUA ficava por conta de “Cheers”, uma sitcom sobre um grupo de amigos que de reunia em um bar. Com uma temática bem diferente das séries citadas acima, mais sombria e autoral, Lynch mudou de vez a maneira de fazer TV, e desbravou uma área pouco conhecida, que hoje dá muitos frutos.

Cinema

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"Homem Elefante" é o primeiro grande sucesso do diretor

Mas, se na TV ele mudou o cenário nos anos 1990, no cinema ele já fazia isso muito antes. A carreira de Lynch no cinema começou em 1977 quando ele produziu, escreveu e dirigiu um filme de terror surrealista chamado “Eraserhead”. Depois disso, ele foi convidado para dirigir um filme baseado na biografia de Joseph Merrick. Assim, ele dirigiu “ O Homem Elefante ”, seu primeiro sucesso no cinema. Com John Hurt e Anthony Hopkins no elenco, o filme foi aclamado por crítica e público, rendendo oito indicações ao Oscar, inclusive de Melhor Diretor para Lynch. “Homem Elefante” abriu as portas para Lynch não só fazer outros filmes, como imprintar seu estilo singular neles. Foi assim que surgiu “Duna”, fracasso de crítica e público, mas que gerou a Lynch o que seria uma longa parceria com o ator Kyle MacLachlan.

Em 1986 ele voltou a trabalhar com o ator em “ Veludo Azul ”, outro sucesso, esse sim com a marca registrada de Lynch: bizarro, inebriante, delirante e aberto a interpretações.

Em 1990, mesmo ano que “Twin Peaks” foi lançada, ele deixou seu estilo peculiar de lado e focou em um romance em “Coração Selvagem”. O filme protagonizado por Nicolas Cage e Laura Dern , porém, não tem nada dos contos de fada convencionais. Em fuga da mãe de Lula (Dern), que colocou assassinos na cola de Sailor (Cage) por desaprovar o casal, eles se deparam com as mais diversas personagens, enquanto amadurecem a própria relação.

Repeteco

David Lynch ao lado da colaboradora de longa data, Laura Dern, em cena de
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David Lynch ao lado da colaboradora de longa data, Laura Dern, em cena de "Twin Peaks"

Dono de um estilo bem particular, que mistura crime com fantasia e abre margem para várias interpretações, Lynch tinha, como muitos diretores, algum colaboradores frequentes, como o próprio Kyle MacLachlan. O ator participou de diversas produções de Lynch. Mas, além dele, outras parcerias foram firmadas com o diretor ao longo dos anos como Laura Dern, Isabella Roellini e Naomi Watts, que voltou a ser dirigida por Lynch no revival de “Twin Peaks”, 15 anos depois de estrelar “Cidade dos Sonhos”, que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar em 2001. O filme, inclusive, foi o primeiro sucesso de Lynch nos cinemas pós-Twin Peaks. Estrelado por Naomi Watts e Laura Harring, inicialmente foi escrito como uma série. Depois de gravar o que seria o piloto, os executivos do estúdio que tinha encomendado a série não gostaram do material e pediram alterações, o que não agradou Lynch. Ele, então, decidiu transformar a história em um longa.   

Estilo

Lynch, vale observar, não faz filmes “simples”. Seu estilo, apesar de acumular muitos fãs, não agrada a todos. Muitas vezes violento, questionador, e lúdico, seu trabalho desafia os padrões de linearidade comum aos filmes, o que pode confundir os menos atentos. Esse estilo é extrapolado em “Império dos Sonhos”, de 2006, e seu último longa até agora.

Lynch imprime estilo singular em suas obras, como
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Lynch imprime estilo singular em suas obras, como "Cidade dos Sonhos"

Existe uma história principal, sobre uma atriz (Laura Dern) que trabalha em um longa, mas há também uma colagem de personagens e histórias que se misturam, mas não necessariamente se conectam. Isso acontece, em parte, porque o filme reúne cenas de curtas que Lynch gravou com Dern. Mas, também, para que o espectador sinta da maneira mais viva possível, a sensação de paranoia e confusão apresentada por Nikki (Dern). Império é, com certeza, um de seus filmes mais experimentais. Apesar da crítica positiva, esse é um de seus filmes menos aclamados.

Além do cinema

A música sempre foi um coadjuvante de peso nos filmes de Lynch. Portanto, é natural que ele se envolvesse com a arte de alguma maneira. Mas, ele o fez de várias. Primeiro, dirigindo documentários de bandas como Nine Inch Nails , Duran Duran, Moby e Marilyn Manson, o último, logo após o lançamento de “Império dos Sonhos”.

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O escritor Michel Chion, que lançou um livro sobre a carreira de Lynch, falou com o diretor para o projeto. Entre outros trabalhos, Chion destaca a carreira do diretor na música, e Lynch comenta: "As pessoas me tratam por diretor, mas eu gosto de pensar que sou um técnico de som”. Os momentos musicais de seus filmes são carregados de informações, emoções e significado. Mas Lynch não para por aí: ele também faz música. Tão caótica e original quando a sua filmografia, a discografia de Lynch é cheia de sonoridades singulares e também cria uma série de sensações, incluindo medo.

Tentando entender Lynch

Lynch dirigindo cena da nova temporada de
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Lynch dirigindo cena da nova temporada de "Twin peaks"

Celebrado como diretor, músico, escritor, pintor e ator (Lynch faz participações em quase todos os seus trabalhos) é claro que Lynch se tornaria uma figura celebrada e estudada. Além do livro mencionado acima, David Lynch é tema do documentário “David Lynch: A Vida de Um Artista”, que estreia em pouquíssimas salas na próxima quinta-feira (31). Dirigido por Jon Nguyen em colaboração com Rick Barnes e Olivia Neergaard-Holm, o filme explora, de maneira bem pessoal, a vida do artista, sua influência no cinema, com relatos do próprio Lynch narrando em primeira pessoa.

“Bizarro”, “esquisito”, “estranho”, “diferente”. São muitos os nomes utilizados para descrever David Lynch . Mas “único” é o que mais descreve seu trabalho.  

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