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Produção que estreia nesta quinta-feira (24) adapta best-Seller de Martha Medeiros e abarca dilemas da mulher moderna sem se desviar dos clichês

Crônica da classe média carioca, fino comentário sobre as circunstâncias da mulher moderna ou mais uma comédia brasileira esforçada que resulta em muito pouco de produtivo. Há variadas abordagens possíveis a “Doidas e Santas”, novo filme de Paulo Thiago adaptado do livro de crônicas de Martha Medeiros e da peça escrita por Regiana Antonini, que colabora no roteiro da adaptação.

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maria Paula é o grande trunfo de
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maria Paula é o grande trunfo de "Doidas e Santas", que fica no mais do mesmo

O grande trunfo do filme é ter como protagonista a atriz Maria Paula . Mais lembrada por sua participação no humorístico “ Casseta & Planeta: Urgente ”, Maria Paula é muito boa atriz e com seu primeiro protagonismo no cinema ajuda a dar frescor a “ Doidas e Santas ”, que no limiar não apresenta nada de muito original ou inovador.

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Maria Paula é Beatriz, uma psicanalista na faixa dos 40 anos que é uma espécie de guru dos relacionamentos. Com três livros publicados e mais um a caminho, Beatriz tem uma epifania durante uma entrevista na TV quando perguntada a última vez em que deu uma gargalhada. É o gatilho para rever sua relação com o marido Orlando ( Marcelo Faria , no piloto automático), com a mãe modernosa ( Nicette Bruno ), tentar se aproximar da filha (Luana Maia), que tem dois namorados, e da irmã ecologista radical (Georgiana Góes).

Boa protagonista

Maria Paula e Marcelo Faria em
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Maria Paula e Marcelo Faria em "Doidas e Santas"

Maria Paula convence sem grande esforço na pele de uma dondoca em crise existencial, mas é como mulher fragilizada que ela tem seus melhores momentos como atriz aqui. Cabe a ela, também, os melhores lampejos do filme de Paulo Thiago. É exclusiva e eventualmente com ela que “Doidas e Santas” tangencia o que a realização sonhou para o filme. Mesmo a piada mais óbvia ganha certo charme e convicção com Maria Paula.

Se “ Doidas e Santas ” ganha pontos é pela recusa a certas convenções quando da resolução dos conflitos propostos. O amadurecimento da protagonista parece mais factível do que em outros filmes do gênero, mas isso não apaga a direção excessivamente formulaica, o roteiro pedestre e a necessidade ininterrupta de condescendência por parte do público com os rumos da trama.

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