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Menos Optimus Prime em cena, bom humor e clímax alongado estão entre as características do quinto filme da franquia que estreia nesta quinta-feira (20)

Transformers: O Último Cavaleiro ”, quinto filme da série, marca os dez anos da franquia comandada por Michael Bay . O momento é decisivo, já que a Paramount não pretende largar o osso. Juntos, os quatro primeiros filmes já renderam quase US$ 4 bilhões. É a grande carta na manga do estúdio para rivalizar com Marvel , Disney, FOX e outros. A ideia de um universo compartilhado paira já há algum tempo e será o rendimento deste quinto filme, até o momento abaixo do esperado, que decidirá a sorte de autobots e decepticons no cinema.

Cena de Transformers: o Último Cavaleiro, que estreia no Brasil nesta quinta (20)
Divulgação
Cena de Transformers: o Último Cavaleiro, que estreia no Brasil nesta quinta (20)

Com orçamento inflado e duração exagerada – são inacabáveis duas horas e trinta minutos de filme -, “ Transformers: O Último Cavaleiro é tudo o que se pode esperar de um filme da série : uma opera de metal regada a óleo, patriotismo e frases de efeito de Optimus Prime, que aqui tem uma participação menor, mas não menos climática.

Mark Wahlberg volta a viver Cade Yeager e, após os eventos de “A Era da Extinção”, os transformers são ‘persona non grata’ na Terra e caçados por uma agência paramilitar internacional criada para essa finalidade. Yeager age na clandestinidade para proteger os alienígenas de mais esse fogo amigo. Já perece meio óbvio, mas é justamente ele o último cavaleiro do título. Sim, há mais um artefato milenar que põe em risco a humanidade, mas dessa vez em um exercício de flexibilização maiúscula da lógica, o roteiro cavou uma relação entre a lenda de Rei Arthur e os Transformers. E você pensando que era só magia...

O fiapo de roteiro, como geralmente na franquia, é esticado até as últimas consequências. Se “O Último Cavaleiro” convence no humor ligeiro, em que Bay versa cada vez melhor , padece do mesmo mal dos outros filmes: um clímax demasiadamente esticado com cenas de ação anabolizadas. O que não quer dizer que não haja boas cenas de ação, mas o clímax cansativo obscurece esse que é um dos grandes trunfos da série. O engenho de Bay para arquitetar grandes cenas de ação – algo ainda factível no quinto filme .

Mark Wahlberg em cena de Transformers: O Último Cavaleiro
Divulgação
Mark Wahlberg em cena de Transformers: O Último Cavaleiro

Se Anthony Hopkins está se divertindo, Josh Duhamel, de volta a série após a ausência no último filme, não esconde o desconforto. Seu personagem é o mais escancarado acessório da trama. Já Laura Haddock, para todos os efeitos a versão inglesa de Megan Fox, se garante na química com Wahlberg, mas não impede a avaliação de que é a mocinha mais fraca da série.

Seria injusto dizer que “ Transformers: O Último Cavaleiro ” expressa a fadiga da franquia. Bem urdido tecnicamente e viajado na maionese de sempre, o filme é a exaltação de um tipo de entretenimento recorrente em Hollywood, o das massas. Para o bem ou para o mal, é mais do mesmo. Hollywood produz porque há demanda e, mesmo com uma bilheteria menor, não há pistas de estafa nessa demanda nos próximos dez anos.