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Esrelado por Keanu Reeves e Renée Zellweger, drama de tribunal estreia na quinta-feira (9) nos cinemas brasileiros e deve agradar fãs de bom suspense

O novo filme de Courtney Hunt (“Rio Congelado”) é um drama de tribunal em que o resultado do julgamento é uma das coisas que menos importam. Estrelado por Keanu Reeves como um advogado criminalista que tenta ganhar uma causa aparentemente a revelia de seu cliente, acusado de matar o pai, “Versões de um Crime” se capitaliza justamente por transferir para a experiência cinematográfica a perspectiva de ser um jurado, em que fatos novos surgem a todo o momento com o potencial de desestabilizar certezas.

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“Versões de um Crime” é estrelado por Keanu Reeves e Renée Zellweger
Divulgação
“Versões de um Crime” é estrelado por Keanu Reeves e Renée Zellweger

Essa construção narrativa é valorizada pela trama que permite intervenções não lineares e certa fluidez que vai fazendo com que “ Versões de um Crime ”acabe sendo um filme muito diferente, no tom e na proposta, daquele que começou.

Keanu Reeves faz esse advogado que defende Mike (Gabriel Basso) que é acusado de ter matado o pai (Jim Belushi). Além das provas sobejarem contra ele, Mike fez voto de silêncio – o que complica sua comunicação com seu representante legal. Renée Zellweger faz a mãe do garoto.

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O advogado, gato escaldado, muda a linha de defesa sutilmente à mercê dos novos fatos, mas no íntimo se preocupa com o resultado do julgamento. É uma preocupação que parece confinada ao personagem, porque Hunt nos direciona a dúvidas de outra natureza. Mike matou mesmo o pai dele? Se sim, sob qual motivação? Se não, porque mentir e, pior, porque sabotar o próprio julgamento?

É bem verdade que nem todas as respostas providas pelo filme são satisfatórias, mas Hunt se preocupa em fazer um filme diferente dentro deste subgênero tão contumaz no cinema americano.

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Com um punhado de clichês ali, mais uma cota de frases feitas acolá e com a pontual condescendência do público em um ou outro momento, “Versões de um Crime” é um filme digno e que, ainda que não o faça de forma virulenta, problematiza o sistema judicial americano, que serve de espelho para grande parte do mundo.