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Série é uma declaração de amor à cena de stand-up comedy nova-iorquina e conta com a grife de Judd Apatow, um dos nomes por trás do hit "Girls"

Judd Apatow acertou em cheio logo na sua primeira colaboração com a HBO. “Girls”, cuja sexta e última temporada já está em cartaz, já entrou para os anais da cultura pop. Agora ele volta à carga com “Crashing” , que o canal estreia na madrugada de domingo (19) para segunda-feira (20) às 00h30.

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Pete Holmes em cena de
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Pete Holmes em cena de "Crashing", a nova série da HBO

Assim como “Girls”, “Crashing” é composta por aquele humor que trafega entre o incômodo e a tristeza. Apatow faz aqui por Pete Holmes ou que fez por Lena Dunham em “Girls” e Paul Rust, em “Love” da Netflix. Emprestar o prestígio de seu nome para que ele ganhe uma boa plataforma para exibir seu trabalho, no caso a HBO .

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“Crashing” mostra a vida de Pete, um pretenso comediante que tenta emplacar uma carreira na cena nova-iorquina de stand-up comedy. Ele é sustentado pela namorada (Lauren Lapkus), com quem está desde os tempos de colégio. Mas logo no primeiro episódio ele a flagra traindo-o. Ele então resolve sair de casa, mas Pete não tem como se sustentar. É justamente dessas circunstâncias que surge a premissa do show. Ver Pete interagindo com veteranos comediantes da cena de humor de Nova York em busca de um lugar para passar a noite.

Cartaz da 1ª temporada de
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Cartaz da 1ª temporada de "Crashing"

No primeiro episódio é o comediante Artie Lange, que já teve um programa na TV, quem contracena com Pete. Ótimas frases e tiradas, típicas de um show de stand-up, surgem enquanto eles dividem uma pizza ou andam pelas ruas da cidade. Outras figuras do humor norte-americano como Dave Attell, Hannibal Buress, T.J. Miller, Jim Norton, Rachael Ray e Sarah Silverman vão surgir nos próximos episódios. Oito constituem a primeira temporada.

Parece importante salientar que “Crashing” é o tipo de série que vai ser mais bem apreciada por quem gosta e/ou acompanha o humor norte-americano. Das esquetes do “Saturday Night Live” a talk shows como os de Jimmy Fallon e Stephen Colbert, a matéria-prima da série é justamente esse universo relativamente distante do brasileiro médio.

No entanto, o DNA da obra de Apatow pode ser verificado em “Crashing”. Pete representa o mesmo arquétipo masculino de “Love”, “O Virgem de 40 anos” ou “Ligeiramente Grávidos”.  A falta de amadurecimento emocional volta à pauta, mas dessa vez dentro de um universo também muito familiar ao cineasta/produtor.

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A sofisticação da série merece ser louvada. É o tipo de produção que canais com a independência e bom gosto da HBO devem investir, mas talvez não encontre seu público fora dos EUA. “Crashing” é um desafio para o público e para o canal que merece ser acompanhado de perto.