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A pratica do cosplay é cada vez mais comum por aqui no Brasil; Milhares de fãs de cultura pop vestiram-se como personagens durante o evento este ano

Cosplay é o termo que se refere à “costume play”, ou seja, a prática de vestir-se e interpretar um personagem de ficção. Pode parecer estranho no início, porém isso é muito recorrente entre fãs de séries, jogos, filmes e livros – e, portanto, não restam dúvidas de que a CCXP é um prato cheio para pessoas de todo o Brasil apaixonadas pelos personagens demonstrarem sua dedicação. O Portal IG conversou com alguns cosplayers – nomes dados aqueles que fazem cosplays – durante o evento.

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Confira alguns dos cosplays incrpiveis que rolaram no primeiro dia da terceira edição da CCXP, quinta-feira (1)
Karine Seimoha
Confira alguns dos cosplays incrpiveis que rolaram no primeiro dia da terceira edição da CCXP, quinta-feira (1)


A maioria dos cosplays requer muito tempo, estudo e dedicação como mostrado por Kayo Santoja, cosplayer experiente no assunto. “Meu último cosplay fiz em um mês e meio, mas em geral, são três meses de trabalho para dar vida a um personagem”. Kayo é um dos cosplayers em ascendência no cenário brasileiro que vem conquistando seu espaço internacionalmente.

Ainda este ano o jovem designer de 22 anos foi convidado pela produtora de jogos Blizzard para participar da BlizzCon nos Estados Unidos, um dos eventos mais importantes para os amantes de jogos, interpretando o personagem Illidan Stormrage do game “World of Warcraft”. Para ele, trazer o universo da ficção para a vida real através do cosplay é coisa séria e tornou-se um trabalho, mas, para grande parte dos adeptos da prática é apenas um hobby para esquecer o dia-a-dia.

Ana e Gustavo, ambos com 20 anos, decidiram vir juntos à CCXP e falaram que “é um jeito de fugir da realidade. A gente trabalha e estuda todos os dias, isso é muito cansativo. É um hobby mesmo, mas nos sentimos muito bem fazendo isso”. Eles são o tipo mais comum de cosplayer , aqueles que levam a possibilidade de se ter “outra personalidade” ou de viver um personagem como um tipo de lazer na sua vida.

O grupo se organizou para montar todos os cosplays combinando na quinta-feira (1) na CCXP
Verônica Maluf
O grupo se organizou para montar todos os cosplays combinando na quinta-feira (1) na CCXP

E é difícil parar depois de começar a se envolver com o cosplay: grande parte das pessoas já está familiarizada com o meio e participa sempre que possível de eventos como a CCXP. Drica, 43, Estela, 35, Amanda, 22, e Eliza, 35, tem, juntas, mais de 20 anos de experiência com cosplays e,  contaram que não pretendem parar tão cedo de se fantasiarem. “Hoje mesmo vi um senhorinha de cosplay, isso me deu esperança de continuar fazendo. Cosplay não tem idade” comentou uma delas. Durante a feira o que não falta é a diversidade entre os adeptos do “ costume play ”, crianças, adolescentes, adultos e idosos caem na diversão na hora de se vestir como um personagem .

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Porém, por outro lado, a CCXP também deu aquele “empurrãozinho” para iniciantes que, como Julia, 22, nunca tinham se aventurado nessa área e tinham até certo receio da prática. “Foi tudo meio no improviso, de última hora mesmo” contou a jovem que veio de fora de São Paulo para participar do evento. “Fiquei com medo de encontrar vários cosplays maravilhosos, mas está sendo uma experiência muito legal. Várias pessoas já me pediram fotos, foi meio estranho, mas estou gostando muito”, disse.

Um tópico é unânime entre todos os cosplayers do evento: ir à carater cansa – e muito – mas isso só torna a experiência mais recompensadora. Ana, 20 anos, veterana na prática, levou quase duas horas para se preparar para o evento mas garantiu que vale muito a pena. "Não tem graça ir em evento sem cosplay. A gente se diverte bem mais do que quem vem 'normal', o público interage com a gente, tira fotos, é muito legal. Sou fotógrafa e muitas vezes vou à trabalho nos eventos e, mesmo assim, vou de cosplay. Cansa, mas é incrível" conta ela. 


Profissão

O cosplay entrou na vida de Kayo dessa mesma forma: há cerca de quatro anos atrás o jovem participou de um evento em Natal, no Rio Grande do Norte, cidade em que mora até hoje, e acabou se interessando pela prática. Ele, em pouco tempo, começou a se aventurar no universo do cosplay e aos poucos foi construindo sua carreira no ramo. “Ainda sou relativamente novo nisso, perto de pessoas que já estão envolvidas há 10, 15 anos com cosplay”, comentou Kayo que hoje se dedica não só a produzir – sim, ele mesmo cria suas fantasias de personagens – mas também vende suas criações, faz encomendas para pessoas de todo o país, chegou a participar da equipe de produção um filme e uma série e está se jogando no universo do Youtube onde ensina a arte de ser um “cosmaker” – ou “propmaker” como é conhecido quem projeta, desenvolve e produz cosplays e outras peças como acessórios para as fantasias.

Kayo Santoja foi convidado da BlizzCon 2016 para interpretar o personagem Illidam Stormrage
Reprodução/Facebook
Kayo Santoja foi convidado da BlizzCon 2016 para interpretar o personagem Illidam Stormrage

Ele admite que viver de cosplay no Brasil não é uma tarefa nada fácil, mas que é possível. Os materiais são caros, a mão de obra é custosa e são necessários vários anos de prática, cursos e outros investimentos para se tornar realmente um profissional da área. “Em todo caso, se você se dedicar vai ter sim um rendimento interessante vindo do cosplay” comenta Kayo que hoje se dedica basicamente a prática.

Em muito pouco tempo para esse meio o cosplayer já ganhou bastante notoriedade, mas conta que chegou a pensar em desistir de participar de concursos por causa da frustração, mas que, agora, após participar da BlizzCon à convite da própria empresa vai retomar sua carreira no meio competitivo. Para ele, ainda é necessário evoluir bastante.  O jovem comentou que está investindo mais em aprender novas técnicas e aprimorando seus conhecimentos – por exemplo, em escultura ou na criação de próteses de látex, como as utilizadas para efeitos especiais – para retomar sua trajetória. Um de seus objetivos é se lançar para campeonatos de nível mundial de cosplay e alcançar vitórias mundiais como outros brasileiros já conquistaram.

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Cosplay é coisa séria e também pode se tornar uma profissão aqui no Brasil
Verônica Maluf
Cosplay é coisa séria e também pode se tornar uma profissão aqui no Brasil

Marcela, 24, disse que há 12 está no meio cosplayer, mas optou por não seguir no meio competitivo – embora também seja uma profissional do ramo. Ela é responsável por dar vida à personagens em, por exemplo, estandes dentro de eventos e outras aparições similares, e isso não torna sua dedicação menor à causa. Ela conta que cada fantasia exige meses de estudo para sair do papel para utilizá-las nos eventos. Na CCXP ela estava fantasiada de Atena, do “Cavaleiros do Zodíaco” justamente no estande com as armaduras originais dos 12 cavaleiros da animação.

Trabalho duro

O universo do cosplay ainda atrai muita gente – mas poucas têm coragem de seguir nesse caminho, mesmo que apenas como um hobby. Criar fantasias complexas e que sejam realmente fieis aos personagens originais é um trabalho longo e que exige muito esforço e vontade de quem quer se envolver naquilo. Kayo relembra que precisou enfrentar muitas pedras no caminho até chegar no nível que tem hoje. “Uma dica para quem quer começar é se preparar para viver frustrações. Na internet você pode achar vários tutoriais que ajudam bastante, mas vá com a cabeça fria. Não dá para chegar agora e já querer ganhar o mundial, vá com calma e se prepare bastante para isso”.

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