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"#MeChamaDeBruna" conta a história da juventude de Raquel Pacheco, que fugiu da casa dos pais ainda adolescente para começar a viver da prostituição

De “Oscar Freire 279” à nova série da FOX “ #MeChamaDeBruna ”, Maria Bopp, de 25 anos, já está engatando a sua carreira de atriz. Com este novo trabalho, ela se tornou a responsável por reencarnar a juventude da garota de programa mais famosa no país, Bruna Surfistinha. Exibida pelo canal FOX1 todos os sábados às 22h desde o último dia 8, “#MeChamaDeBruna” conta a história da inserção de Raquel Pacheco , ainda menor de idade, no mundo da prostituição, depois de fugir da casa dos pais.

Maria Bopp interpretando a Bruna Surfistinha na nova série da FOX
Divulgação
Maria Bopp interpretando a Bruna Surfistinha na nova série da FOX


Maria Bopp foi convidada para participar do projeto pessoalmente pela diretora Márcia Faria, que já conhecia de seu trabalho anterior, e não hesitou para aceitar o papel. "Eu sabia que seria um desafio, mas nessa altura eu já queria o papel. Eu até chorei de alegria”, afirmou em entrevista exclusiva ao iG . Para interpretar a icônica Bruna Surfistinha , a jovem teve dois dias de troca de experiências com Raquel Pacheco . “A gente teve dois encontros antes de eu começar a filmar, entretanto a Raquel não participou do processo criativo, a gente fez outro tipo de criação, mas foi legal para conhecê-la e perguntar coisas que todo mundo gostaria", comenta.

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No primeiro encontro, Pacheco e Bopp sentaram-se uma de frente uma para a outra com os olhos vendados para trocar experiências. "Eu e Raquel estávamos com os olhos vendados, minha mão no coração dela e a mão dela no meu coração. Ela começou falando coisas sobre a sua vida, memórias, infância e tudo o que ela falava eu repetia em voz baixa na primeira pessoa”, recorda. “A gente ficou assim por uma hora e então tiraram as vendas ao mesmo tempo. Foi a primeira vez que eu a vi pessoalmente e foi um momento emocionante”. Já no segundo encontro, a diretora da série propôs exercícios de improvisação para que a Bruna Surfistinha fizesse sua própria leitura das cenas do roteiro, sem compromisso com a atuação. “Foi muito interessante porque a Raquel disse coisas que de fato entraram no roteiro depois”, afirma a atriz.

maria-bruna, bruna-raquel, maria-raquel. três mulheres em duas.

A photo posted by maria bopp ⚡️ (@mariabopp) on



Além dos dois encontros, Maria teve dois meses e meio de preparação para a atuação e reservou um dia para conhecer a realidade das jovens mulheres que caem no universo da prostituição. “O mundo da prostituição ainda é um universo banalizado deixado à margem pelas pessoas. Desumanizam muito as mulheres e também há muito moralismo para tratar desse assunto”, reflete. Durante sua visita, ela chegou a conversar com diversas prostitutas e ouvir as suas histórias. “A da Bruna Surfistinha é uma história que não é comum, é da classe média alta. Muitas das mulheres que eu conversei não tinham escolha”, afirma. “Foi muito interessante porque eu ouvi histórias pesadas, de pessoas que já apanharam muito com clientes violentos ou mesmo de clientes que são casados e que às vezes gostam só de conversar com uma prostituta”, contou.

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Diante de todo esse cenário, a atriz confessa que o mais difícil do seu trabalho não foi necessariamente atuar com questões que envolvem tanto tabu na nossa sociedade, mas sim evitar as possíveis romantizações do tema. “A parte mais desafiadora foi não banalizar essa realidade. Por mais que fossemos falar sobre a Bruna Surfistinha, não queríamos contar essa história de uma forma que romantizasse a prostituição. Isso foi um cuidado de todos desde o começo”, reitera.

Mesmo com as cenas de sexo, Bopp não teve tanta dificuldade. A atriz já tinha experimentado esse tipo de atuação em “Oscar Freire 279”, mas de forma muito mais superficial comparada com a atual série. “O fato de ter muitas mulheres na produção facilitou porque me senti acolhida, porque sabia que o meu corpo não seria explorado. Foi uma boa ajuda”, comenta.

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Não é a primeira vez que a vida de Bruna Surfistinha é retratada no audiovisual. Em 2011, o publicitário Marcos Baldini assumiu a direção do filme homônimo com Deborah Secco como protagonista. O longa foi uma biografia baseada no livro “O Doce Veneno do Escorpião”, escrito pela própria Surfistinha. Enquanto o filme narra toda a história de Raquel Pacheco, a série traz o recorte de sua juventude e todas as complexidades que ela viveu durante esta fase da vida. “A Bruna da série é uma Bruna mais menina, mais ingênua, na descoberta dessa nova vida que ela escolhe, desse novo universo”, afirma.

Com a primeira temporada já concluída e rolando na televisão, Maria conta que a FOX tem interesse em realizar uma continuação, mas ainda não há nada confirmado. Seu próximo projeto agora é focar nos estudos: a atriz já está realizando cursos livres de atuação e afirma ter alguns projetos em vista, ainda sem confirmação.

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Antes de começar a carreira de atriz, Maria atuava como continuísta no meio audiovisual. “Acho que a Bruna é um divisor de águas na minha vida. Ela representou um recomeço. É uma personagem que eu gosto: misteriosa, interessante de se descobrir. Eu me identifico com a coragem dela, o fato dela ser destemida", conclui.

Confira o teaser da série:




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