Para mim, a lenda mais curiosa sobre a Dinastia Romanov, que governou a Rússia até 1917, quando foi derrubada por uma revolução, era a de que Anastásia, filha do czar Nicolau II, teria sobrevivido ao massacre de sua família e fugido. Mas o governo russo garante que isso não aconteceu.  

Rasputin, conselheiro do Império Russo
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Rasputin, conselheiro do Império Russo, teria pênis gigante e preservado


Desmentida essa polêmica, existe outra lenda que divide opiniões e é tão surpreendente quanto: a de que Grigori Rasputin, o monge místico e conselheiro imperial dos Romonav, teria um pênis bem dotado que supostamente pode ter sido arrancado por seus inimigos e depois redescoberto e guardado em um museu, onde está inteiro mais de cem anos após sua morte.

Detalhes desse “membro”

O pênis apresentado como o de Rasputin está conservado e exposto em um vidro com álcool desde 2004 no Museu do Erotismo, em São Petersburgo, na Rússia. Segundo o fundador do museu e também chefe do centro de pesquisa de próstata da Academia Russa de Ciências Naturais, o urologista Igor Knyazkin, é autêntico e foi adquirido por 8 mil dólares de um antiquário na França que guardava ainda possíveis documentos redigidos pelo monge. 

Na coleção da qual faz parte o órgão estão expostas ainda mais 12 mil peças com conotação sexual, entre falos de cerâmica e imagens de nudes, sendo algumas estimadas do século 19, e que foram adquiridas ou doadas por pessoas da elite russa ou ligadas a instituições confiáveis. Entre os contribuintes do acervo está Mikhail Piotrovsky, diretor do Museu Hermitage. 

E se não bastasse haver uma genitália atribuída a Rasputin, segundo Knyazkin ela seria mística. Há quem acredite, por exemplo, que prestar atenção nela por alguns minutos pode curar a impotência sexual – só não é especificado se o milagre é observado na hora ou depois. Quanto ao tamanho do pênis, da ponta à base, consta em sua identificação medir 28,5 centímetros.

Vida e morte misteriosas

Rasputin, diziam os rumores, mantinha relações sexuais com a mãe de Anastásia, a imperatriz Alexandra, que o fez ascender a uma posição de prestígio, e outras mulheres nobres envolvidas em seus rituais que misturavam religião e magia. Por seu obscurantismo e influência, acabou visto por um grupo de aristocratas como um obstáculo a ser eliminado. 

Morreu após supostamente ter um presságio e advertir o czar: “Se eu for morto por nobres russos, suas mãos ficarão manchadas por meu sangue (...) e nenhum dos teus viverá mais de dois anos”. Foi o que aconteceu. Quase dois antes dos Romonav serem presos e fuzilados por tropas bolcheviques, Rasputin caiu em uma armação fatal tramada por seus conspiradores. 

Segundo a combinação de versões de historiadores e testemunhos daquela noite gelada de 30 de dezembro de 1916, o monge, não se sabe ao certo o motivo, participava de um encontro com o príncipe Felix Yusupov e seus comparsas e teria sido envenenado ao provar um alimento. Porém, como o veneno supostamente não o atingiu, foi alvejado de tiros e agredido tanto que pode ter morrido em virtude dos ferimentos.


Outra teoria diz que o monge, por não morrer de jeito nenhum, após o linchamento foi lançado no rio Neva, onde de fato seu cadáver foi encontrado sob o gelo, mas sem evidências de afogamento, como atestou Dmitry Kosorotov, cirurgião sênior de autópsia da cidade de São Petersburgo. Há quem afirme que ele já havia sido morto ou sucumbiu de hipotermia.

E quanto ao pênis?

Como era sabido ou suspeitava-se que o assassinato foi cometido por gente ligada à realeza, autopsia e investigação terminaram rápido e os detalhes pouco aprofundados e ocultados. Existem informações conflitantes, como a de que Rasputin foi castrado por seus algozes e uma empregada do príncipe Yusupov teria encontrado seu pênis. Já o legista que o examinou teria confirmado que suas partes baixas estavam inteiramente preservadas e não decepadas. 

Dessa forma, não há como garantir a originalidade do pênis exposto no museu. E tem mais: os restos mortais de Rasputin não encontraram descanso nem depois de sepultados. Em 1917, com a revolução que derrubou a monarquia, seu corpo foi exumado e queimado para evitar que sua tumba virasse um local de peregrinações. Como estava embalsamado, o pênis pode ter sido removido em boas condições e se perdeu ou foi vendido para algum mercado negro. 

Fontes: Livros “Rasputin: Faith, Power, and the Twilight of the Romanovs”, de Douglas Smith; “Rasputin: A Life”, de Joseph T. Fuhrmann; e “Nicholas e Alexandra: The Fall of the Romanov Dynasty”, de Robert K. Massie. 

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