Matheus Dias precisou vender marmita durante a pandemia
Globo/João Miguel Júnior
Matheus Dias precisou vender marmita durante a pandemia

O ator Matheus Dias, intérprete de Bento em Além da Ilusão, revelou que durante a pandemia precisou vender marmitas com a sua mãe para conseguir pagar as contas. "Ela abriu um delivery e foi o que segurou (as contas). Cozinhava, atendia pedidos, entregava, cuidava da contabilidade", explicou. 


Matheus, mesmo com as dificuldades, não parou de investir na carreira artística. Fazia cursos e oficinas de atores. Ao ser convidado para integrar o elenco de Além da Ilusão, perguntaram se o ator estaria disponível por seis meses e o personagem acabou caindo nas graças do público. 

Ele já tinha trabalhado na Globo anteriormente, fez sua estreia em Malhação - Pro Dia Nascer Feliz, em 2016. E em 2018, fez uma breve participação em Cidades dos Homens e nos curtas-metragens Memórias do Rio e Pássaro de Quintal. Mas Matheus viu em Bento o tipo de personagem que ele mesmo queria assistir na TV: "Um herói preto".

"Essa é uma luta de muito tempo com nomes como Milton Gonçalves, Taís Araujo, Lázaro Ramos, de atores mais novos, e é uma luta minha também porque consegui chegar nesse lugar de personagem grande com destaque e trama. Vivemos em um país onde mais da metade da população é preta, mas normalmente só 20% do elenco é de negros, Temos que melhorar muito nesse sentido", desabafou em entrevista à Quem. 

Matheus também destacou a relação entre Bento e Abílio (Luciano Quirino), seu pai na novela, que o criou sozinho após a morte da mulher. "É muito importante mostrar o afeto entre esse pai e esse filho porque é difícil ver isso na tela, devido à ausência de famílias negras", continuou. 

Já na vida real, o ator não teve a mesma presença paterna. Matheus não tem contato com o pai desde os cinco anos de idade. Foi criado pela mãe, a manicure Gislane (42), e a avó (65), Wilma. A figura paterna na vida dele e de seu irmão, Carlos, de 25 anos, foi o padrasto Bruno. O ator tem dois meios-irmãos: Bruno, de 12 anos, e Alice, de cinco. 

"Sempre fui muito responsável, o Bruno ficava comigo quando a minha mãe ia trabalhar e a gente não tinha aula. Aprendi a cozinhar, sempre arrumei a casa, acabei criando uma maturidade desde cedo", explicou. Matheus, que nasceu em São João del-Rei, Minas Gerais, sempre visitava o Rio de Janeiro.

Aos 12 mudou de vez para o Rio de Janeiro, e foi em Realengo, bairro na Zona Oeste carioca, que teve o primeiro contato com o teatro, em um curso na escola pública em que estudou. 

*Com a colaboração de Gabriela Ramos.

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