Caio Coppolla acumulou inimigos na CNN Brasil e foi demitido após passar meses na geladeira
Divulgação/CNN Brasil
Caio Coppolla acumulou inimigos na CNN Brasil e foi demitido após passar meses na geladeira


Quem leu o simpático comunicado emitido pela CNN Brasil para informar o desligamento de Caio Coppolla não imagina que por trás de tamanha cordialidade havia um enorme sentimento de alívio por parte do canal em dar adeus ao youtuber. Detestado pelos jornalistas com quem trabalhou, ele deixou a empresa pela porta dos fundos.

Alguns apresentadores já haviam pedido a cabeça de Coppolla à direção. Monalisa Perrone e Carla Vilhena, que chegaram a mediar os debates que o youtuber participava, atingiram o limite da paciência e se recusaram a dividir o mesmo espaço que o aliado de Bolsonaro. Gabriela Prioli ficou tão irritada com ele que sequer o cumprimentava quando se cruzavam nos corredores.


Caio era tido pelos colegas como arrogante, soberbo e pouco culto. Mas lidar com o ego exacerbado do youtuber era o menor dos problemas. Para os jornalistas da CNN, o grande impasse de tê-lo diariamente no vídeo, principalmente no auge da pandemia, era abrir espaço para um disseminador de informações imprecisas e muitas vezes pautadas em achismos. Enquanto toda a equipe ralava para dar as melhores informações a respeito da pandemia, das medidas de segurança, do isolamento social e da vacina, Coppolla usava seus 20 minutos para destruir todo o árduo trabalho dos jornalistas.

Mesmo com tantos inimigos dentro do canal, ele era bancado por Douglas Tavolaro. Mas bastou Renata Afonso chegar e assumir o posto de CEO da CNN para Coppolla ser silenciado e amargar uma longa geladeira, que durou meses.

A pressa do canal era para que a vigência do contrato com Caio chegasse logo ao fim. Na gestão de Renata, o nome do youtuber nunca esteve nos planos.

Leia Também

Outros dois fatores pesaram na decisão por sua demissão: em janeiro deste ano ele havia assinado contrato com a rádio Jovem Pan sem avisar a CNN Brasil, que interpretou o caso como uma insubordinação. O segundo é a proximidade das Eleições 2022. Ele foi avaliado internamente como uma voz perigosa, que poderia usar o espaço de exposição na TV para panfletar em favor de Bolsonaro e acabar prejudicando todo o trabalho sério desenvolvido pelo Jornalismo.

Na CNN Brasil, o clima é de alívio. As demissões de Caio Coppolla e Alexandre Garcia animaram os jornalistas do canal, que já não aguentavam mais ter que administrar as crises que eles geravam por conta das opiniões que emitiam ao vivo nos telejornais.

Leia a nota da demissão de Caio Coppolla emitida pela CNN:

"O contrato entre a CNN Brasil e o comentarista político Caio Coppolla se encerra no próximo dia 31, e as partes comunicam que decidiram, em comum acordo, não renovar a parceria de dois anos. A edição da tarde do quadro Liberdade de Opinião, do qual Coppolla fazia parte, não voltará ao ar.

Convidado para ser um dos participantes de O Grande Debate para o lançamento da emissora, Coppolla teve destacado papel na construção da identidade plural da CNN. No início de 2021, Coppolla assumiu um dos postos em Liberdade de Opinião da edição da tarde. Os dois quadros foram líderes de audiência em diversos momentos. 'Foram dois anos de muita experiência e aprendizado em um ambiente de excelência', disse Coppolla ao se despedir da redação.

Com o término da atração, a jornalista Rita Lisauskas, que participava do quadro, também deixa a empresa em comum acordo. 'Sou muito grata pela oportunidade de ter feito parte, mesmo por um curto período, da CNN Brasil', comentou Rita, que estava contratada desde janeiro.

A CNN agradece a importante contribuição de Coppolla e Rita para a diversidade de ideias na programação da emissora e deseja sucesso e sorte aos profissionais em seus novos projetos."

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários