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Maior bilheteria da história do cinema tem os números e o passado a seu favor, mas "Coringa" roubou todos os holofotes na hora H; entenda

“Vingadores: Ultimato” se tornou a maior bilheteria da história do cinema e já contava com toda uma plataforma para chegar ao Oscar 2020 cacifado na disputa de Melhor Filme, principalmente depois de “Pantera Negra” concorrer em 2019, mas aí aconteceu “Coringa”, o filme da Warner/DC que quebrou a banca no Festival de Veneza e agora está cotadíssimo para as principais categorias do Oscar.

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Divulgação
Cena de Vingadores: Ultimato, que estreia nesta quinta-feira (25) nos cinemas brasileiros

Neste contexto, quais as chances de “Vingadores: Ultimato” ser indicado ao Oscar de Melhor Filme na edição de 2020 dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood?

As chances do épico de 3h02 da Marvel figurar entre os concorrentes ao Oscar de melhor filme são muito pequenas. Primeiro porque, diferentemente de “Guerra Infinita”, “Ultimato” é um filme com muitos problemas. É a conclusão de uma saga, tal como o mega oscarizado “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” (2003), mas de uma jornada de 22 filmes e sem um ponto de ruptura claro, como no caso da franquia pilotada por Peter Jackson. A fase 4, afinal, está à espreita.

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“Ultimato” tem uma estatística poderosa jogando a seu favor. “E O Vento Levou” (1939), “E.T – O Extraterreste” (1982), “Titanic” (1997) e “Avatar” (2009), filmes que assumiram a liderança na lista dos recordistas de bilheteria foram indicados ao Oscar de Melhor Filme. Esse dado precisa ser lido sob a luz certa. A Marvel hoje é o grande player em Hollywood e a Academia faz um esforço para inserir o cinemão dentro de suas categorias mais prestigiadas. A expansão de cinco para até dez concorrentes na categoria principal e a malfadada criação da categoria de Melhor Filme Popular são parte desse movimento.

Mas aí veio “Coringa”

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Divulgação
Joaquin Phoenix como o Coringa

O filme de Todd Phillips ganhou a legitimação do mais antigo e prestigiado festival de cinema do mundo e transformou todas as expectativas em Hollywood. Agora é possível prestigiar uma adaptação de HQ que também é percebida como arte. É o denominador comum que a Academia procura desde “O Cavaleiro das Trevas” (2008), a obra-prima de Christopher Nolan que acabou de fora da disputa pelo Oscar principal e, à época, provocou reações cataclísmicas em Hollywood.

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É natural supor, dentro da ultrapassada, mas ainda vigente política compensatória e cotista da Academia, que não haja espaço para duas adaptações de HQs na categoria principal. Essa análise independe do mérito de ambos os filmes. É uma questão de percepção e o Oscar é uma campanha política. Nessa conjuntura, “Coringa” simplesmente tem uma candidatura muito mais sedutora.