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Documentário é um soco no estômago e é imperdível para quem entende a urgência de assumir esse debate. Filme estreia nesta quinta-feira (20)

Não é de hoje que se fala que o Rio de Janeiro vive uma guerra e “Relatos do Front”, documentário de Renato Martins , é a afirmação incontestável dessa realidade.

Relatos do front
Divulgação
Relatos do Front

O documentarista, que tem entre os créditos a montagem de “Tropa de Elite 2”, com os préstimos dos roteiristas e colaboradores Sérgio Barata e Gabriel Pardal, esmiúça a fracassada política de combate às drogas no País, seus reflexos na segurança pública do Rio de Janeiro , e propõe um debate sobre como essas condições resultam na desassistência do Estado à setores da população. “Relatos do Front” é um filme sem medo de dar a cara à tapa.

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Isso não quer dizer que tome partidos. O longa objetiva a pluralidade de visões e, portanto, alterna depoimentos de moradores de comunidades, policiais, ex-presidiários, especialistas em segurança pública, psicólogos, entre outros. Tudo para traçar um painel robusto sobre a ineficácia das políticas de segurança pública no Estado do Rio de Janeiro.

Há cenas fortes, mas ainda mais desestabilizadores são os raciocínios encampados por alguns dos personagens ouvidos pelo filme. Da inquietação do policial que sugere que mudando a sociedade é possível mudar a polícia, ao homem que se recorda de ver um corpo sendo carregado em um carrinho de pedreiro. “Aquilo me impactou pra vida toda”.

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“Relatos do Front” é urgente porque é o filme de terror da nossa sociedade. As reflexões ensejadas pela obra de Renato Martins são importantes porque chegam em um momento de verdades absolutas e de pouca disposição ao diálogo. Este é um filme que busca resgatar uma humanidade que está em transe.