Depois de enfrentar grandes problemas financeiros e ver seu calendário de lançamentos encolher, a Paramount, um dos estúdios mais tradicionais de Hollywood, mudou completamente de estratégia.

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Paramount
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Paramount

Para além da mudança no comando da empresa, Jim Gianopolos assumiu como CEO na metade de 2017, o estúdio passou a planejar muito mais seus investimentos, iniciativa que começa a render bons dividendos para a Paramount , nos campos financeiro e cinematográfico.

O início da queda 

O estúdio começou o século XXI como um dos mais poderosos de Hollywood e o único que ainda mantinha contrato com uma grande estrela, no caso Tom Cruise . Os contratos entre estúdios e astros de cinema tornaram-se obsoletos na década de 80, mas a boa relação entre a companhia e Cruise fazia com que essa exclusividade ainda fosse benéfica para ambos os lados.

No decorrer da década, no entanto, isso mudou de figura. Os filmes encabeçados por grandes astros passaram a render menos e franquias como Harry Potter e O Senhor dos Anéis começaram a dominar o mainstream.

o cineasta Michael Bay
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Michael Bay dirigindo "Transformers: O Último Cavaleiro" (2017)

Depois do terceiro “Missão Impossível”, lançado em 2006, Cruise e Paramount se divorciariam - eles chegariam a um acordo para retomar a série no fim da década. “Transformers” passou a ser a menina dos olhos do estúdio e Michael Bay seu grande gênio criativo. A confiança no cineasta era tão grande que ele tinha o direito de fazer um filme “pequeno” com orçamento de até US$ 30 milhões entre cada filme da série. Algo análogo ao que Christopher Nolan tinha com a Warner entre cada filme da trilogia Cavaleiro das Trevas.

 O estúdio ficou responsável pela distribuição dos primeiros filmes da Marvel (de “Homem de Ferro” até “Vingadores”), mas com a compra da Marvel Studios pela Disney, o que poderia ser um belo casamento foi apenas mais uma demonstração de que a companhia deixava boas oportunidades escaparem.

Com o desgaste da franquia “Transformers” – foram cinco filmes lançados entre 2007 e 2017 – o estúdio percebeu que não estava competindo com seus grandes rivais na indústria (Sony, Warner, Fox, Universal e Disney) no cinemão e também não apresentava produções que encantassem a crítica.

A Paramount parecia ruir enquanto a indústria evoluía com o streaming se tornando uma realidade.

Aposta em um cinema diferente

Cena do filme Mãe
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Jennifer lawrence é a estrela de "Mãe!", de Darren Aronofsky

Mas foi justamente 2017 o ano da virada do estúdio e a chegada de Gianopolos e toda uma nova filosofia de produção respondem pelo sucesso que começa a ficar bastante evidente em 2019. O primeiro passo foi reavaliar os projetos aprovados e estabelecer novos critérios para os projetos a ser aprovados.

Por isso “Guerra Mundial Z 2”, que teria David Fincher na direção, foi suspenso e filmes como “Um Lugar Silencioso” (2018) e “Rocketman” (2019) foram aprovados e trabalhados promocionalmente com uma finesse singular no cinemão de hoje.

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A Paramount resolveu prestigiar um cinema adulto que atualmente está sendo negligenciado pelos grandes estúdios. Daí apostar em Darren Aronofsky e seu controvertido “Mãe!”, que ganhou um avantajado lançamento comercial em 2017, e em Ang Lee, que neste ano lança “Projeto Gemini”. Estrelado por Will Smith, o longa parece uma ficção científica dos anos 90 e promete ser um dos grandes momentos do mainstream em 2019.

A retomada

cena de Rocketman
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Cena do filme "Rocketman", atualmente em cartaz nos cinemas

Mas não foi só a aposta em um cinema adulto sem potencial de franquia que resgatou o estúdio. Ele se aproximou da Netflix (conversas sobre um processo de fusão rondam os corredores de Hollywood a Walt Street) e fez negociações pontuais desde distribuição global (“Aniquilação”), passando por vendas de conteúdo “(“The Cloverfield Paradox”) e culminando em contratos de produção conjunta para séries de TV e filmes para serem lançados diretamente na plataforma de streaming.

Não obstante, o novíssimo Paramount +, plataforma de streaming da Viacom, já é uma realidade e chega ao Brasil em junho. É o primeiro grande estúdio a lançar uma plataforma de streaming fora dos EUA.

Cemitério Maldito
reprodução/The Ringer
Cemitério Maldito é um dos recentes casos de sucesso da Paramount

Com média de seis a oito filmes lançados por ano, a Paramount busca diversificar. A aposta no terror tem se mostrado válida. Além de “Um Lugar Silencioso”, “Operação Overlord” foi um hit moderado em 2018. Neste ano, além de “Cemitério Maldito”, o estúdio lança “Predadores Assassinos”, novo longa de Alexandre Aja e que é produzido por Sam Raimi, dois ases do gênero.

As franquias continuam sendo um foco, mas embaladas com muito mais cálculo e zelo. “Bumblebee” (2018) foi o maior sucesso de crítica da franquia “Transformers” e teve boa arrecadação. Já “Missão: Impossível – Efeito Fallout” foi um estrondoso sucesso de público e crítica. Dois novos filmes já foram confirmados com o agente secreto vivido por Cruise.

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A retomada é tão sustentável que são dez filmes previstos para 2020, entre eles a continuação de “Top Gun – Ases Indomáveis”, filme que fez com que o estúdio apostasse lá atrás em Tom Cruise. De certa forma, o atual momento mostra que a Paramount soube fazer as pazes com o passado e sabe se comportar em um presente que acelera rapidamente para o futuro.

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