Viih Tube e Eliezer
Reprodução/Instagram
Viih Tube e Eliezer

Atualmente, não é raro ver crianças influenciadoras nas redes sociais. Quem não morre de amores por Maria Flor, filha de Douglas Silva? Ou não espera notícias do bebê de Viih Tube e Eliezer, que já tem um perfil no Instagram?

Fotos e vídeos no YouTube, no Instagram, e dancinhas no TikTok são alguns dos conteúdos dessas crianças. Mas ter um menor exposto tão cedo na web pode gerar alguns riscos. 

"O que a gente vê é que muitas crianças estão deixando de ser criança. Então tem uma redução da infância. Acho que a gente precisa aprender a usar a tecnologia a serviço da infância", explica a professora Leila Tardivo, do Departamento de Psicologia Clínica do IPUSP. 

A especialista afirma que, sim, existem pessoas que usam as redes só para guardar as memórias dos filhos, e, quando é assim, não tem problema. Mas outras já os expõem como se fossem influencers e, neste ponto, é preciso ter cuidado com o que mostrar.

Caso de Viih Tube e Eliezer

Esse foi o caso de Viih Tube e Elizer. A youtuber explicou que criou o perfil apenas para registrar os momentos do filho, que ainda não nasceu. Ele ainda não virou o influencer, pois está na barriga, mas já acumula mais de 700 mil seguidores.

A professora Leila faz um alerta. "Existe um problema na internet: não ter mais a divisão entre o público e o privado. Um bebezinho, quando nasce, precisa é do colo da mãe ou do pai, de um ambiente estável, equilibrado, caloroso para crescer. Então, uma mega exposição pode, na verdade, prejudicar o desenvolvimento, o que cada momento na vida requer de necessário".  

Riscos de expor crianças na internet

A internet coloca a criança em contato com muitas pessoas desconhecidas, o que pode provocar situações perigosas. "Ter um perfil fechado para brincar ou só para família é uma coisa, sendo muito diferente de uma influenciador [ou o filho de alguns famosos], que está aberto para qualquer um. Pode vir qualquer mensagem. Há riscos ligados a invasão de hackers e de pedofilia", diz Leila.

A secretária-adjunta da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maria Leolina Cunha, confirma que o número de casos de pedofilia na internet tem crescido. E essa alta exposição é um dos implicantes. "Temos aqui [no Estatuto da Criança e do Adolescente] um observatório para acompanhar as questões cibernéticas, principalmente no que diz respeito a questão de abuso, principalmente sexual online. E essa tendência vem crescendo". 

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Maria Leolina ainda diz que o TikTok, com as dancinhas, também pode provocar uma erotização infantil. "O Brasil é um dos principais países que produz conteúdo pornográfico. E como isso é veiculado, pode provocar essa erotização precoce da criança". 

Como a exposição de crianças na internet ainda é algo muito novo, não existe nenhum regulamento, por lei, que proteja os menores. Mas a secretária-adjunta garante que há um monitoramento: "O Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA] faz um monitoramento com Ministério Público que é o responsável de ofertar as denúncias que recebem".  

Responsabilidade dos pais

Maria Leonina pontua que a responsabilidade também está na família do pequeno influencer. "A família tem que estar sensibilizada para essa exposição da criança. Até que ponto essa exposição é saudável para ela", alerta. 

Ela ainda diz que a família deve controlar como a criança encara este contato com a internet e sempre fazer com seja leve. "Se é uma coisa normal, se é ela está ali, fazendo uma piada, uma gracinha e é leve para ela, é um lazer. Ótimo. Mas ela pode estar sendo exposta a uma situação, muitas vezes, taxativa porque a internet é perversa". 

Deste forma, muitos desses perfis de crianças não só são geridos pelos pais, algo que a psicóloga recomenda, como têm a presença deles. Esse é o caso de Maria Flor. Douglas Silva, pai da criança, aparece com frequência nos conteúdos da menina de 10 anos.

Leila complementa e diz, que, se a criança realmente gostar de estar na internet, não há problemas, mas que os pais devem saber controlar e respeitar a vontade dos filhos. Ou seja, não devem obrigá-los a gravar. "Os pais vão ajudar a crescer, dando base para desenvolvimento sadio. Então, tem que respeitar o momento que a criança está". 

A psicóloga conclui que o importante é que a criança tenha o direito de "sonhar, brincar e estudar" e que este direito deve ser garantido pelos pais, acima de qualquer exposição na internet.

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