Emma Thompson em filme 'Boa sorte, Leo Grande'
Divulgação - 31.07.2022
Emma Thompson em filme 'Boa sorte, Leo Grande'


Uma semana de ensaios, duas de filmagens, duas locações, três atores. Tudo envolvendo “Boa sorte, Leo Grande” — filme da diretora australiana Sophie Hyde que estreou nos cinemas brasileiros na quinta-feira — foi feito em pequena escala. O principal motivo foi a pandemia, uma vez que as gravações aconteceram entre abril e maio de 2021. Mas não o único. A trama acompanha uma mulher madura, que perdeu o marido há pouco tempo, com quem viveu por décadas uma relação sem muita paixão. Frustrada por nunca ter tido um orgasmo, decide contratar um profissional do sexo.

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Uma comédia com consideráveis elementos dramáticos, o filme retrata vários encontros entre Nancy Stokes (interpretada por Emma Thompson) e o garoto de programa Leo Grande (Daryl McCormack), e se passa praticamente todo em um quarto de hotel. Apenas uma cena ocorre em local diferente e conta com a presença de uma terceira pessoa.


— Achei irresistível a ideia de duas pessoas em um quarto explorando intimidade e conexão física — conta Hyde, de 45 anos, em conversa por Zoom.

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A cineasta diz que não pensou duas vezes em aceitar o convite ao saber que a protagonista seria Emma Thompson. Duas vezes vencedora do Oscar e completando quatro décadas de carreira, a atriz de 63 anos confiou na diretora para protagonizar sua primeira cena de nu frontal.

— Eu dizia para ela: “Não é fundamental que você fique nua, se não se sentir confortável, podemos cortar.” Mas ela sempre teve controle sob o que estávamos fazendo e a noção de que a nudez era parte da história — lembra Hyde, que pensa ser necessário quebrar tabus em torno do sexo. —Precisamos parar de olhar para o sexo através de uma camada de vergonha.

Durante apresentação de “Boa sorte, Leo Grande” no Festival de Berlim, Thompson revelou em coletiva de imprensa que o filme a ajudou a aceitar seu corpo, algo que ela tinha sido condicionada a odiar, e que espera que a obra ajude no debate sobre prazer. “Acho que o prazer feminino nunca esteve no topo da lista de prioridades para as mulheres. Precisamos conversar sobre intimidade e sobre por que sentimos vergonha do prazer que buscamos”, disse.

Espelho, espelho meu

Ainda em Berlim, a atriz admitiu que não foi fácil gravar a cena em que aparece nua diante de um espelho. “Eu não consigo parar na frente de um espelho daquela forma. Nós, mulheres, sofremos uma lavagem cerebral para odiar nossos corpos”, destacou.

Além de lidar com suas próprias questões de aceitação e exposição, Thompson também fez questão de tentar deixar McCormack, de 29 anos, confortável. Durante o processo de ensaios, os dois chegaram a passar um dia inteiro nus para ganhar intimidade e diminuir qualquer desconforto. Por sinal, Hyde considera a relação construída pelos dois dentro e fora de cena como o grande trunfo de sua obra.

Com poucos trabalhos no cinema, mas com participação importante na série de TV “Peaky blinders”, McCormack contou à revista Vogue que conversou com muitos profissionais do sexo para se preparar para o filme e que cada um trouxe um elemento diferente sobre este universo. “Todas as minhas ideias preconcebidas do que seria intimidade foram partidas”, disse o ator, que hoje se considera “melhor amigo” de Emma Thompson.

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