Deolane e MC Kevin em praia
Reprodução/Instagram
Deolane e MC Kevin em praia


Em “1 milhão de sonhos”, Mc Kevin dizia que “o tempo só anda pra frente”. Em “Cavalo de Troia”, ele avisava: “Não deixo pra amanhã, porque amanhã pode ser tarde”. Em “Junção venenosa”, um verso traduz bem o que foi a vida do funkeiro, que morreu aos 23 anos, em 16 de maio de 2021, ao cair da varanda de um quarto de hotel no Rio: “Se até o melhor dessa vida uma hora acaba, ‘podemo’ dizer que ‘aproveitamo’ pelo menos”. O funk aprendido pelo garoto nascido na periferia de São Paulo faz às vezes de seu epitáfio. Kevin Nascimento Bueno teve o ônus e o bônus de uma trajetória cheia de altos e baixos.

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Dos pés descalços na favela, passando fome e vendendo drogas a serviço do tráfico ao artista grifado e com uma Lamborghini na garagem, o funkeiro viveu tudo o que queria. Um ano após sua morte, ainda sem inquérito concluído, o tempo, como costumava dizer, foi o bem mais precioso para quem ficou. A mãe deu continuidade ao legado musical. A única filha é herdeira dos bens deixados. Os irmãos e irmãs estão fazendo o próprio corre. E a viúva virou influenciadora, cantora e DJ com milhões de seguidores. “Vou dar um tempo. Vou ficar quietinho. Esquece, depois eu volto, tchau”, trecho de “Minha última música”, foi lançada um mês antes de sua morte. Mais uma vez, Kevin traduzia em letra e melodia, o que seria seu futuro.


Ainda sem resposta

Kevin morreu aos 23 anos, após cair do quinto andar do Hotel Brisa Barra, onde estava hospedado. O exame toxicológico feito ao corpo apontou a presença das substâncias metilenodioximetanfetamina e cafeína usadas antes da sua morte, junto a bebidas alcoólicas. Foi considerado acidente no inquérito aberto pela Polícia Civil do Rio, mas ainda existem muitas dúvidas quanto aos depoimentos das testemunhas e envolvidos. Segundo a advogada da família, Flavia Froes, será feita uma reprodução simulada da noite em que Kevin morreu pois há versões contraditórias nos depoimentos.

A mãe tá on

Valquiria Nascimento, mãe de Kevin, já gerenciava a carreira do filho. Ele começou no meio musical em 2013, ainda nas vielas da Vila Ede, comunidade da periferia de São Paulo. Ficou conhecido através do canal KondZilla no YouTube e rapidamente ascendeu no meio do funk e rap paulista. Desde então sua mãe toma conta do escritório que ele abriu para cuidar da própria carreira e de outros MCs lançados por ele, em parceria. Val não delegou a ninguém o trabalho que já havia começado e assim como o filho, empresaria outros funkeiros de São Paulo.

Viúvo é quem morre

Até aceitar o pedido de namoro de Kevin, Deolane Bezerra era conhecida apenas nos fóruns e delegacias de São Paulo. A advogada, que incorporou o Doutora Deolane como alcunha artística, apareceu mesmo para o Brasil quando ela e o funkeiro passaram a circular juntos, pouco menos de um ano antes da morte de Kevin. Quando a viu numa balada, ele ficou desnorteado. Quis porque quis ficar com ela, mas a doutora só enxergava um garoto. Em sua curta e meteórica carreira, ele escreveu três músicas para ela, e em outras acaba citando a relação intensa que tinham, de muitas brigas e paixão avassaladora.

Ao ser catapultada à fama, a doutora cumpriu todos os protocolos que se espera de uma celebridade instantânea. Passou a fazer aparições e dar declarações midiáticas, virou influenciadora, ostentou bastante na web, comprou uma mansao de milhões e até brigou com a ex e a mãe de Kevin. Hoje a relação de Deolane e Val é distante, porém amigável. Ela diz que perdoou uma dívida de R$ 500 mil que a sogra e o funkeiro tinham com ela e cada uma seguiu seu rumo. No de Deolane ainda está uma carreira de DJ e cantora. Há cerca de dois meses, ela começou a circular com o empresário Antonio Mandarrari, mas não assumiu nenhum relacionamento. Em breve, ela e as irmãs, que vieram no rastro de sua fama, devem lançar um reality show ao estilo Kardashian.

Irmãos no corre

Kevin tem mais quatro irmãos. Duas meninas e dois meninos. Eric, o mais velho, acabou se estranhando com a ex-cunhada quando ela lançou sua primeira música. Ele postou uma indireta no Instagram sugerindo que as pessoas estavam surfando na fama do irmão. Ellen Bueno, a irmã mais nova, também saiu defendendo a memória de Kevin ao dizer que não foi Deolane a responsável pelo sucesso dele. Há poucos dias, ela fez uma festa de 15 anos tardia. Na realidade, a comemoração deveria ter acontecido em junho do ano passado, e o funkeiro seria seu príncipe. Com sua morte, o evento foi adiado e só aconteceu agora. A jovem de 16 anos trabalha atualmente como influenciadora.

Ninguém esquece

Amigos e músicos que trabalharam com Kevin têm uma série de eventos para homenagear o artista. Neste domingo, tem baile na Mansão Imperador, lugar em que o cantor fez sua última apresentação no Rio, com vários MCs e nomes do funk carioca como MC Maneirinho, Valesca Popozuda, Naldo e Gabily. Na segunda, dia de um ano de morte, haverá um jogo de futebol beneficente sob o nome de Kevin, em São Paulo.


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