Tereza Seiblitz e André Gonçalves
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Tereza Seiblitz e André Gonçalves

O ator André Gonçalves jamais assistiu a uma das apresentações teatrais da filha Manuela Seiblitz, de 22 anos, quando ela era aluna da prestigiada escola de artes cênicas O Tablado, na Zona Sul carioca. De acordo com a atriz Tereza Seiblitz, mãe de Manuela, a filha sempre convidava o pai para conferir as montagens em que integrava o elenco, mas ele nunca apareceu.

"Minha sensação é que André Gonçalves é um pai cenográfico. Ele é muito gentil, engraçado... Quer dizer, foi gentil até o momento em que soube que precisaria pagar a pensão atrasada", conta Tereza, ao GLOBO. "Ele é esse tipo de pai que aparece de vez em quando para dar um presente caro. Mas nunca foi a nenhuma reunião da escola. Ele conta a versão dele, e talvez ele acredite nessa história, mas o que ele diz não é real. Qualquer amigo da Manuela sabe (que André é um pai ausente)" , disse.

Segundo Tereza, a relação entre André e a filha, que sempre aconteceu de forma distanciada, piorou em 2017, quando a jovem completou 18 anos e tomou frente nas questões jurídicas sobre a pensão alimentícia. Nessa época, para que uma ordem de prisão não fosse decretada contra André, Manuela aceitou uma proposta de acordo feita pelo pai: ele pagaria R$ 20 mil, além de mil reais mensais durante certo período.

Mas André não cumpriu o acordo. Segundo Tereza, ele fez o pagamento de apenas R$ 10 mil, prometendo a outra metade para a filha dali a quinze dias, "e depois desapareceu", como ela conta. Em seguida, continuou a não depositar o valor da pensão. Nesse período, aliás, Tereza contatou Cynthia Benini, mãe de Valentina, de 18 anos — outra filha de André —, e que compartilhou o mesmo problema. Hoje, o ator é alvo de dois pedidos de prisão pelo não pagamento da pensão — um deles é realizado por Cynthia; o outro por Manuela.

"Desde 2017, quando isso aconteceu, Manu é agredida verbalmente por André. E antes disso, de alguma maneira, ela era agredida pela ausência (do pai)",  ressalta Tereza. Numa das sessões entre ele e minha filha com os advogados, André foi tão grosso que o mediador a suspendeu.

Tiro pela culatra

A questão é antiga, e se arrasta na Justiça há mais de uma década. Em 2010, "quando André diminuiu a pensão combinada do nada", como Tereza relata ao GLOBO, ela tentou conversar com o ex a respeito do assunto. Ouviu como resposta a seguinte frase: "Não, deixa os advogados conversarem". Depois, a atriz recebeu um fax de um advogado, representante de André, dizendo que gostaria de regularizar as visitas do ator para a filha.

O caso foi parar no tribunal, e o juiz acabou decretando, na ocasião, que André precisaria quitar as dívidas decorrentes do não pagamento da pensão.

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"Quando saiu esse negócio, ele ficou com muita raiva, me xingou de tudo. Eu estava entrando em cena, na coxia do teatro onde trabalhava, e ele falava que eu tinha conversar com ele naquela hora. Foi muito grosseiro. Desliguei o telefone e depois falei: 'Realmente agora só trato sobre isso com advogado'", declara Tereza. "Isso foi quando o juiz decidiu algo que o próprio André começou. Era uma bravata, né? Ele queria regularizar que visitas? André não visitava a filha! O juiz viu tudo e falou: 'Vai ter que pagar a pensão'", disse.

'Virei uma onça'

A seguir, confira trechos da entrevista realizada pelo GLOBO com Tereza Seiblitz. Ela conta que deseja muito conversar com Cynthia Benini, mãe de Valentina, também filha de André Gonçalves. Valentina e Manuela, aliás, são amigas e têm se apoiado ao longo desse processo.

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'Tenho que falar'

"Não gosto dessa exposição. Mas acho que agora tenho que falar porque André está expondo minha filha. Só estou falando, porque virei uma onça. Estou muito chateada com essa exposição que André está fazendo das próprias filhas. Isso revela bastante o tipo de pai que ele é. Se fosse por mim, não iria querer nem saber. Mas mexer com ela? André mexeu num lugar que não podia mexer".

'Só procura minha filha para xingar'

"André Gonçalves não nos procurou (desde que o caso veio à tona, neste ano) . Ele só procura a minha filha pra xingá-la, de vez em quando".

'Não queria mais dinheiro nenhum'

"Houve um momento em que pensei que não queria mais dinheiro nenhum dele. Mas esse é o dinheiro da minha filha. A vontade era de tirar o nome dele de tudo, sabe? Dá muito raiva. Ele foi muito violento e muito grosseiro. É terrível, é horroroso, do tipo de você não querer ver a pessoa nunca mais. Mas ele é pai dela, né?".

'Mentira absoluta'

"É uma mentira absoluta (quando ele diz que é injustiçado e que se tornou o Malvado Favorito das filhas só por causa de dinheiro, como declarou ao GLOBO). A Manuela tem uma bolsa na PUC-Rio, porque a minha mãe deu aula por 30 anos lá. Vivi dando jeitos para, com o dinheiro que eu tinha, gerir as coisas. E sozinha! E tem outra coisa que normalmente não se conta, que é o tempo de mãe. As pessoas acham que a mulher tem que cuidar mesmo dos filhos e dane-se. Sou muito feliz de ter feito tudo pela minha filha. Mas tiveram muitas coisas que eu deixei de fazer porque não tive com quem dividir o cuidado da minha filha".

'Não tinha como inventar desculpas'

"Quando André dizia que ia visitar Manu, eu deixei de avisar para a minha filha. Se ele viesse, tudo bem. Aí era lucro. Se ele não viesse, minha filha nem saberia que ele estava querendo vir. Essa foi a estratégia que eu adotei. Não tinha como eu ficar inventando desculpas para justificar por que ele não veio".

'Nunca pagou escola, nada'

"André não viu nenhuma peça que a Manu fez n'O Tablado. Nunca a levou num pediatra, num dentista... É muito básico isso, né? Falo isso, e parece que não é nada. Mas o cotidiano de uma criança é isto: escola, festa de amigos, pediatra, apresentações, coisas da família... André nunca teve com a minha filha o que ele projeta para a mídia. Ele nunca pagou a escola. Nenhuma escola, nenhum curso, nenhum dentista... Nada!".

'Vontade de pegar facão'

"Recebi muitos relatos de várias mulheres falando sobre questões parecidas. Não estou vendo nada que ele diz, porque fico enjoada. Minha vontade é de pegar um facão e ir atrás dele. Não posso fazer isso (risos). Mas dá um enjoo mesmo ao ver (como ele se defende) . Não estou vendo, e não vi nada do que ele falou. Minha escolha é não ver isso".

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