Monarco integra a Velha Guarda da Portela
Marcelo Theobald/Arquivo/Agência O Globo
Monarco integra a Velha Guarda da Portela

Monarco, sambista e presidente de honra da Portela morto neste sábado, aos 88 anos, foi sepultado às 15h30 ao som do hino da agremiação. Estavam presentes na cerimônia, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio, integrantes de várias escolas de samba do Rio.

O corpo do músico foi velado na quadra da sua escola, na Zona Norte do Rio, mais cedo. A bandeira da agremiação foi deixada sob o caixão. E familiares e amigos foram para a despedida. A cerimônia, aberta ao público, começou às 11h.

Escolas de samba como Mangueira e Viradouro prestaram condolências com flores na despedida. O prefeito Eduardo Paes, Pauilinho da Viola, Marisa Monte e Diogo Nogueira estiveram presentes na cerimônia.

"Nosso papel hoje para manter vivo o legado dele é continuar cantando as canções desse homem imenso que sempre valorizou os jovens compositores do samba. A memória dele continua viva através de suas canções e sua elegância. Ele era a própria Portela", pontuou Diogo Nogueira.

Presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães, lembrou a importância do baluarte para a memória da agremiação.

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"Ele era um guardião da história do samba e da Portela. Sempre muito próximo do Paulo (da Portela), ele cultivava esse essência que o Paulo plantou aqui. Ele tinha a sala dele aqui na quadra, onde recebia a todos e podia falar sobre o que mais conhecia, que era o samba e a Portela. Com certeza, vamos manter viva essa memóriae tudo que ele nos deixou. Daqui pra frente, não vão faltar homenagens", diz.

Monarco estava internado há um mês no Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, onde passou por uma cirurgia no intestino e não resistiu às complicações.

A internação

"Sua última apresentação em público foi onde mais gostava de cantar, em casa, na quadra da Majestade do Samba!", escreveu a diretoria da Portela, em nota publicada logo após a morte. "Na ocasião, participou da edição de outubro da Feijoada da Família Portelense ao lado de seus companheiros de estrada e de vida da Velha Guarda Show".

Referência da escola de Madureira ao lado de nomes da nata do samba, como Paulinho da Viola e Clara Nunes, Hildemar Diniz, o Monarco, ficou conhecido por um apelido de infância, que ganhou quando ainda vivia em Nova Iguaçu. Filho do marceneiro e poeta José Felipe Diniz, chegou a ajudar a mãe, separada, nas despesas da casa, vendendo mangas na feira da cidade da Baixada Fluminense.

O sambista integrava a ala de compositores da Azul e branco desde 1950. É dele a autoria de sambas clássicos que exaltam a escola, como "Passado de glória", um dos "esquentas" obrigatórios da Portela antes de entrar na Avenida. O primeiro disco solo veio em 1976, com temas como "O quitandeiro" (com Paulo da Portela) e "Lenço" (com Francisco Santana). Outros de seus sucessos são "Triste desventura", "Vai vadiar" e "Coração em desalinho", essas duas últimas se tornaram grandes sucessos na voz do também portelense Zeca Pagodinho.

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