Wagner Moura nega briga com José Padilha e critica governo Bolsonaro
Sandra Delgado
Wagner Moura nega briga com José Padilha e critica governo Bolsonaro


O ator Wagner Moura, que voltou para o Brasil após um período em Los Angeles, participou de uma entrevista à Folha de S.Paulo para divulgar seu filme "Marighella" e abriu o jogo sobre suas opiniões políticas.


Durante o bate-papo, o diretor negou qualquer briga com o cineasta José Padilha, com quem trabalhou nos filmes "Tropa de Elite" e "Tropa de Elite 2", em relação seu posicionamento político. "Nós nunca brigamos, nós nos afastamos. Trocamos mensagens duras, sobretudo em relação ao [juíz Sergio] Moro na época do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Sempre vi o Moro como uma figura desprovida de qualidades. Acho que hoje está provado que ele foi parcial no julgamento do Lula. A perseguição ao PT era óbvia", contou.

"Embora eu, antes de 2013, tenha sido um dos que mais bateram no PT por causa dos casos de corrupção. Depois 'virei petista', coisa que nunca fui. Mas tudo bem. O ponto é manter meu juízo. Não deixei a polarização política que tomou do país atrapalhar a minha amizade com o Padilha. Simplesmente, paramos de trocar mensagens em determinado momento", completou.

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O filme "Marighella" estreia dia 4 de novembro e estava previsto para o início de 2019, mas foi postergado. "É inacreditável que o filme só vá estrear agora. Em Berlim, foi aplaudido de pé por dez minutos; Seu Jorge já ganhou prêmios na Itália e na Índia. Mas é um filme feito para o Brasil. A primeira estreia foi cancelada pela censura. Os pedidos que a [produtora] O2 fez à Ancine eram absolutamente normais, negados assustosamente numa época em que Bolsonaro atacava o cinema nacional", pontuou Wagner.

"Se tivesse sido lançado em 2019, seria um filme. Em 2020, outro. Hoje, espero que 'Marighella' enfrente menos oposição. Pois agora está claro para todo mundo que este governo é uma tragédia. Para todo mundo, não... Tem aqueles 25% que foram ao 7 de Setembro, mas a maioria já entendeu que não é uma questão de direita ou esquerda, é uma questão de civilização contra a barbárie. Por isso acho que agora a reação será menos violenta com o elenco", continuou.

Moura também contou que não teve lucros com a produção: "Artista não é ladrão. A acusação de 'mamar na Lei Rouanet' me dá tanto ódio. Em 'Marighella', não usei um real da Lei Rouanet. Da Lei do Audiovisual também não, porque nenhuma empresa quis botar dinheiro. É uma produção feita com o fundo setorial e dinheiro da Globo Filmes. Não recebi um tostão por esse trabalho. Pelo contrário. Só gastei. E isso também não é problema, porque é um filme que eu amo".

O artista ainda criticou o governo Bolsonaro, atual presidente do Brasil. "Foi uma tragédia, sobretudo porque a grande maioria das 600 mil mortes no Brasil poderia ter sido evitada, como a do Paulo Gustavo. A gente não era tão amigo, mas era um cara com quem eu falava. Quando ele teve os filhos, a gente se falou, trocou ideias sobre a paternidade... Isso é muito doloroso. E o presidente segue andando por aí sem máscara, sem dar exemplo. O Bolsonaro precisa responder por essas mortes. Ele tem que ser preso", declarou.

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