Sérgio Reis, de ídolo sertanejo a alvo da PF
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Sérgio Reis, de ídolo sertanejo a alvo da PF

Com uma carreira musical de cerca de 60 anos, o cantor Sérgio Reis já foi considerado um dos grandes ícones do sertanejo. Mas ele tem chamado mais atenção recentemente pelos posicionamentos e articulações políticas. Nesta sexta-feira (20), o cantor foi alvo de uma operação da Polícia Federal autorizada por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, após uma solicitação da Procuradoria-geral da República.

A PF esteve em ao menos quatro endereços do cantor. Segundo a nota oficial da Polícia Federal, o objetivo é "apurar o eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições". A operação incluiu outros alvos além do sertanejo, como  o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ).

Mas como Sérgio Reis foi de ícone sertanejo a investigado?

O começo da carreira

Sergio Bavini, 81 anos, nasceu em São Paulo em 1940. Ele decidiu adotar o sobrenome da mãe para o nome artístico, por acreditar que o do pai não era adequado para ramo musical. A carreira do cantor na música começou na década de 60, quando ele foi um dos sucessos da Jovem Guarda.

O álbum de estreia foi "Coração de Papel", de 1967. Sérgio Reis só migrou para o sertanejo anos depois. Em 1972, ele lançou o primeiro disco do ritmo musical pelo qual seria conhecido. O primeiro sucesso na música sertaneja foi "Menino da Gaita", seguida por outras faixas de bastante sucesso como "Menino da Porteira", "Pinga ni Mim" e "Panela Velha".

Atuação

Sérgio Reis também teve uma carreira na frente das câmeras. Ele estreou como ator em 1976, no filme "O Menino da Porteira".  A primeira vez que o cantor esteve em uma novela foi oito anos depois, quando atuou em Paraíso, da Globo. Na extinta Manchete, atuou em "Pantanal" e "A História de Ana Raio e Zé Trovão". Ele voltou para a Globo e interpretou um cantor sertanejo em "O Rei do Gado". Seu último trabalho na teledramaturgia foi em 2009, quando atuou no remake de "Paraíso".

Música

O cantor tem algumas conquistas importantes na carreira musical. O álbum "O Melhor de Sérgio Reis", de 1981, alcançou a marca de 1 milhão de cópias vendidas. Em 2014, o artista foi premiado com o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja pelo álbum "Questão de Tempo". No ano seguinte, ele ganhou o mesmo prêmio com o CD e DVD "Amizade Sincera II", em parceria com Renato Teixeira. 

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Política

Em paralelo com a carreira musical no começo da década de 2010, Sérgio Reis também se dedicava à carreira política. Em 2010, ele se candidatou pelo então Partido da República (PR), atual Partido Liberal (PL), a deputado federal, mas não foi eleito.

A vitória só viria nas próximas eleições, quando se candidatou ao mesmo cargo, mas dessa vez pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB), atual Republicanos. Durante os anos como parlamentar, o cantor já se aproximava de pautas defendidas hoje pelo bolsonarismo, como redução da maioridade penal e a moralização da política.

Em 2016 Sérgio Reis votou a favor do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. No ano seguinte, ele foi favorável ao processo que pedia a abertura da investigação de Michel Temer. Nas eleições de 2018, o sertanejo não se candidatou às eleições por problemas de saúde.

Bolsonarismo

O cantor é declaradamente um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em agosto deste ano, ele apareceu em um vídeo gravado em Brasília no qual disse estar organizando uma manifestação com o apoio do movimento dos caminhoneiros e de setores ligados ao agronegócio. O objetivo dos protestos seria demonstrar apoio a Bolsonaro, pedir o voto impresso e impeachment dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Sérgio Reis disse que o foco das manifestações seria em Brasília e que os caminhoneiros iriam impedir a circulação de outros veículos ao longo de 72 horas, tanto na capital quanto em outras cidades ao redor do país. 

Após a repercussão do áudio, Angela Bavini, a esposa de Sérgio reis, disse que o marido estava "depressivo porque foi mal interpretado". Ela também falou que o marido passou mal por conta de uma alta da glicemia e decidiu se recolher

O vídeo também teve repercussões na vida profissional do artista. Em entrevista ao Congresso em Foco, ele disse se arrepender do que disse que cancelaram quatro shows e dois comerciais com ele. Além disso, Maria Rita e Guilherme Arantes também cancelaram parcerias no disco do cantor.

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