Painel falou sobre educação de jovens periféricos e evasão escolar
Reprodução/Unicef
Painel falou sobre educação de jovens periféricos e evasão escolar


Lázaro Ramos e  MC Soffia falaram da importância da educação no desenvolvimento de crianças periféricas e pretas no 1º Seminário Paulista para Proteção das Crianças e dos Adolescentes, promovido pela Unicef em parceria com a Agenda Pública, Ministério Público do Trabalho e do Instituto Camará Calunga. Os artistas comentaram que estão preocupados com a evasão escolar e com a pandemia, que agravou desigualdades no aprendizado. 


Para Lázaro, o momento atual traz mais preocupações que iluminações. "Uma que tenho [preocupação] é a evasão escolar, que já era gigantesca, agora temos que ficar mais preocupados. Cuidar da escola significa cuidar do aluno e do professor, que hoje tem que se reinventar, eu penso que é um esforço coletivo, das famílias, conscientizando as crianças, do Estado, incentivando se manter na escola sempre e o terceiro setor, que sempre foi a alternativa para incentivar a escola", disse. 

"Estou nesse processo aí de ensino médio então, fora do que a gente estuda, precisa entender a matéria né? Quando eu vou para a casa do meu pai, que é um ambiente periférico, tem muitas crianças assim: 'ai não, não tô fazendo aula online, não tô conseguindo aprender'", disse MC Soffia, que tem 17 anos e está no último ano do ensino médio.

"Acho que o aprender ele é muito importante principalmente para nós crianças e jovens que estamos nessa geração que a gente precisa usar muito a fala pra poder militar pra poder trabalhar esse empoderamento. Então, acho que o aprender, ele é muito forte. Então, eu valorizo sim os professores", comentou a MC.

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Saúde mental também foi pauta

Além da evasão escolar, a saúde mental de jovens foi pauta do painel. "O tema não tava na nossa pauta do dia a dia, tava em grupos específicos, em pessoas que pensavam nisso, mas é uma coisa que sempre foi necessária, agora então vira um tema urgente, né?", comentou Lázaro Ramos.

Lázaro comentou que a arte traz saúde mental e ajuda em momentos difíceis, principalmente na pandemia da Covid-19. "Eu tô muito besta por ser artista na pandemia. Vejo como a arte traz saúde, também para mim, nos momentos que eu tô mais desesperado, mais desamparado é ouvindo a música, lendo uma coisa, assistindo um produto audiovisual, eu pego forças para seguir", disse.

"A gente precisa passar por um momento também de reeducação, porque falar muitas vezes sobre saúde mental parece que você tá falando uma coisa que não faz e não precisa ser o de acesso de todos e, na verdade é. Acho que a gente pode aproveitar inclusive este momento pra colocar na nossa pauta diária aquilo que tem a ver com o bem-estar e o cuidado um com os outros", comentou.

A arte, como Lázaro disse, foi fundamental para ele na pandemia. Para MC Soffia, a arte pode mudar a vida de crianças na periferia, como em oficinas educacionais. "Quando tem essas oficinas de artes nas periferias uma criança que tá lá ela pode querer tocar violino, ela pode querer ser jogadora, ela pode querer cantar, dançar e então faz com que as crianças comecem a acreditar", disse. 

MC Soffia também relatou que é só com o conhecimento que se combate o racismo. Eu tô conseguindo abranger mais jovens com as minhas falas, minhas músicas estão livres das escolas, para as crianças conseguirem trabalhar essa questão da militância do povo preto nas escolas que é mais importante ainda. A gente sempre tem que bater na tecla para que enfim, né? Que não são todas as escolas, mas principalmente as escolas públicas e particulares devem se ensinar porque é lá que a gente vai aprender a combater o racismo com o conhecimento", disse. 

Conhecimento combate o racismo

Perguntada sobre dias melhores, MC Soffia disse que espera que o povo preto conquiste cada vez mais espaço. "Ver o meu povo preto chegando nas faculdades, nas universidades, que as crianças pretas cada vez mais se aceitem, amem o cabelo, escutem minhas músicas, então para mim dias melhores é ver a minha cultura é ver o meu povo feliz", afirmou. 

Lázaro pensa que é preciso manter certa indignação, mas também resgatar a paixão pelo conhecimento. "Resgatar a paixão pelo saber, pela educação, pelo ambiente escolar eu penso que as melhores memórias que eu trago comigo na minha vida foram formados ali na escola, na convivência com meus colegas de escola, na convivência daquele ambiente onde eu aprendi, onde eu me descobri, onde eu conheci pessoas", disse. 

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