Mc Soffia
@cavss.photos/ Reprodução Instagram
Mc Soffia


A falta de representatividade negra é um tema que vem cada vez mais sendo criticado em termos de desigualdades no mundo artístico. Mas para Mc Soffia este tema também é prejudicial às crianças que não se sentem identificadas com as personagens majoritariamente brancas na televisão. A cantora adolescente conta, em uma entrevista exclusiva ao iG Gente, que o que mais lhe incomodava na escola não eram as piadinhas racistas, isso ela sabia lidar, mas sim não se reconhecer nas personagens da televisão. 

“O que mais me chateava não era os apelidinhos, mas a falta de representatividade em personagens para eu brincar com minhas amigas, eu não ter personagens para brincar com minhas amigas... a gente assistia filmes, desenhos, alguma coisa na televisão e eu não tinha um papel porque nenhuma menina nestas atrações se parecia comigo. Eu não podia brincar porque eu não ia falar que eu era a ruiva, a loirinha”, relembra Mc Soffia. 


MC Soffia nasceu na Zona Oeste de São Paulo, na região de Raposo Tavares, em uma família de militantes do movimento negro. Sua mãe, a produtora cultural e estudante de direito Kamilah Pimentel, ficou grávida ainda na adolescência, aos 17 anos.

Desde cedo, frequentava o movimento negro das periferias de São Paulo, em  rodas de debate e oficinas culturais. “Eu tive sempre a base familiar de militantes, sempre pude me empoderar e me achar bonita, só que na escola eu estava sem eles, então tive que saber lidar sozinha”, ressalta. 

uma estrela teen desde pequena


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MC Soffia, hoje com 17 anos, completou uma década de carreira  no ano passado. Ela ficou famosa quando tinha apenas 12 cantando na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Aos três, começou a compor. Já com quatro, começou a ter aulas de capoeira, depois se apaixonou pelo maracatu. E, aos seis, participou de uma série de oficinas do mundo hip hop: breake, grafite, DJ e MC. 

“Eu sempre gostei muito de música desde pequeninha, cantava nos karaokês familiares, escutava bastante artistas da velha guarda, então comecei a escutar mais da minha geração mais tarde. Eu comecei a cantar [profissionalmente] mesmo com seis anos, que daí realmente eu tive vontade”, comenta ela. 

Durante a escola, após passar por um conjunto de discriminações e preconceitos, ela teve a certeza que queria ser cantora para falar das opressões que presenciava. "A minha realidade na escola não foi nada diferente das outras meninas pretas que vão para a escola, um período muito difícil com piadinhas sobre o meu cabelo, com apelidinhos de personagens. E foi neste momento também que eu tive certeza que queria ser cantora e falar das coisas que passei”, explica. 

Inspirando outras meninas negras

Mc Soffia
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Mc Soffia


Sempre com temas fortes, por meio das músicas sobre autoestima e discriminações , Mc Soffia inspira outras meninas negras. “Minha rima tem poder, poder na palavra. Eu te empodero, eu sou empoderada. Com minha autoestima, eu sou graduada. Não querem ver preta rica, eu vou ser milionária”, trecho da canção “Empoderada” da cantora. 

Ela também se inspira em outras mulheres negras cantoras como Elza Soares, Beyoncé, Rihanna, Karol Conká e Cassia Reis. "Agora estou escutando bastante Normani, Lauryn Hill, minhas principais referências negras na música”, declara. 

Com a carreira em alta, já tem lançamento previsto da música “Meu Lugar de Fala”. Além dissso, ela é dona de outros singles como “Empoderada”, “Menina Pretinha”, "City Rock”, "Quebra Tudo”. Nas redes sociais, a cantora está cada vez mais conhecida. “Tem muita coisa nova vindo por aí, muitos sonhos, muito empoderamento também”, divulga e finaliza a cantora.

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