Marcius Melhem e Dani Calabresa
Reprodução/Instagram
Marcius Melhem teria assediado Dani Calabresa em festa de comemoração com elenco do Zorra Total

Marcius Melhem foi demitido da Globo após as denúncias contra ele estourarem. O humorista é acusado de ter cometido assédio moral e sexual com as comediantes dos programas que comandava. Diversos famosos se pronunciaram sobre o caso, inclusive Dani Calabresa , que foi uma das primeiras famosas a denunciar o ex-diretor da emissora carioca.

Segundo reportagem da revista Piauí, a primeira vez que Marcius Melhem assediou Dani Calabresa foi em 2017. Os dois estavam com a equipe do "Zorra" em uma festa em comemoração ao centésimo episódio do programa. Em um momento da noite, eles subiram no palco do bar para cantar no Karaokê e o diretor teria tentado beijar a comediante.

Calabresa saiu do palco e foi ao banheiro, quando teria se deparado com Melhem novamente. O diretor teria encurralado a comediante na parede, tentado beijar ela, lambido o rosto dela à força e ainda teria colocado o pênis para fora. Quando Dani voltou para mesa, ela foi consolada pelos atores George Sauna e Luís Miranda, este último para quem a artista relatou a violência sofrida.

Três dias após o suposto caso de assédio no bar, Marciu Melhem apareceu nos estúdios Globo. Como diretor responsável pelo "Zorra", ele não costumava ir às gravações, pois trabalhava com os roteiras em outro local. Ele foi até o local onde Dani estava ensaiando com Maria Clara Gueiros e testemunhas se recordam dele dizendo: "Eu não tenho culpa do que aconteceu! Quem mandou você estar muito gostosa?". O comediante ainda teria tentado abraçar Calabresa, que fugia dele andando em volta da mesa. "Não quero seu abraço nem suas desculpas, você já me agarrou, lambeu minha cara e encostou o pau em mim", a atriz teria respondido.

Depois desse episódio, a situação só pioraria para Dani Calabresa. Ela receberia uma visita indesejada de Melhem em seu camarim, momentos antes de gravar uma cena apenas de maiô. Além disso, ela também sofreria assédios quando eles se cruzavam pelos corredores, situações como ter o chefe apertando a cintura dela, ou dizendo coisas como "gostosa" e "sonhei com você outra vez, hein!".

Em 2019, Dani Calabresa pediu demissão do "Zorra", alegando que decidiu deixar o programa por conta de decepções profissionais com o núcleo de humor da Globo. De acordo com amigos da humorista ouvidos pela Piauí, nessa época ela tomava ansiolíticos e entrava em pânico toda vez que ia à Globo, com medo de encontrar Melhem.

Mais denúncias e Marcelo Adnet

Após as acusações de Dani Calabresa, outras supostas vítimas e Marcius Melhem denunciaram o diretor do núcleo de humor da Globo. Ainda segundo a Piauí, pelo menos mais cinco mulheres foram ao compliance da emissora com queixas de assédio sexual. Três disseram que ele roçava o pênis o ereto nelas. "Ele fazia isso até quando me encontrava nos corredores. Sempre em tom de brincadeira, como se o lugar fosse apertado demais e fosse impossível não encostar em mim", contou uma. Outras duas disseram que receberam visitas de Marcius em suas casas e acabaram sendo assediadas por eles lá.

Em março deste ano, a Globo divulgou um comunicado dizendo que Marcius estava deixando a liderança de projetos humorísticos da emissora. O posicionamento do canal de televisão revoltou os envolvidos no caso e um grupo de treze pessoas, seis vítimas e sete testemunhas, procuraram a advogada Mayra Cotta para orientação jurídica.

Então, Marcelo Adnet, ex-marido de Dani Calabresa, mandou um email para Carlos Henrique Schroder, à frente do conteúdo da Globo, que assinado por 30 profissionais, atores, roteiristas e diretores. Na mensagem, os funcionários se queixavam de como a empresa estava lidando com os casos de assédio sexual.

Schroder respondeu que se reuniria com o grupo e foram realizadas duas reuniões por chamadas de vídeo. Nesse meio tempo, a advogada Cotta deu uma entrevista à Folha de S. Paulo falando sobre as denúncias contra Melhem e sustentando as acusações feitas pelas mulheres que a procuraram.

Após a publicação da entrevista, Melhem escreveu um texto no Twitter negando as denúncias. Em seguida, Adnet fez um post em apoio às supostas vítimas na mesma rede social. Ele também teria mandando mensagem em um grupo de WhatsApp com famosos como Fernanda Lima e Patrícia Pillar falando sobre o incômodo que tem com Marcius. "“O que esse sujeito [Melhem] me boicotou, falou mal de mim, me deu apelidos…”, disse.

Com os desdobramentos do caso, outras quatro mulheres teriam procurado Cotta alegando que foram assediadas sexualmente por Marcius Melhem, três atrizes e uma profissional da equipe técnica. José Nóbrega, presidente executivo da Globo, não comentou o caso envolvendo o ex-diretor de projetos humorísticos da emissora, mas declarou que a empresa precisa melhorar a forma como conduz e investigas as denúncias de assédio sexual. "Estamos estudando a possibilidade de dar retornos da melhor maneira. De dar retornos mais empáticos, de criar um mecanismo de aconselhamento para as pessoas que foram impactadas negativamente. Precisamos de um fechamento melhor. Sabemos que esses processos precisam melhorar. Queremos ser justos. Queremos que nossas ações sirvam para a correção de problemas", admitiu.

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