A demissão do repórter Adalberto Neto do Grupo Globo na última quarta-feira (4) gerou uma grande polêmica nas redes sociais e surgiram debates sobre questões raciais, o que fez o jornalista quebrar o silêncio.

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Adalberto Neto
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Adalberto Neto


O ex-repórter da Globo foi demitido após publicar um vídeo que mostrava a comemoração da equipe de plantão do jornal O Globo com a conquista do Flamengo na Libertadores.

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Em uma carta enviada ao colunista Leo Dias, o jornalista disse que não sabe se sua demissão teve a ver com os vídeos publicados. "Realmente, não foi informado o motivo da minha demissão. Meu editor apenas disse que foi um pedido da direção pelo 'conjunto da obra', mas ele não soube responder - ou não podia - me informar a respeito."

Adalberto disse que não recebeu nenhuma advertência prévia ao seu desligamento e apontou a questão racial como o motivo de sua demissão. "Para quem tem o mínimo de letramento racial, é impossível não racializar essa minha demissão. A culpa não é nossa. Vem lá de trás. Da colonização."

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Mesmo se considerando uma vítima dos últimos acontecimentos, o jornalista agradeceu toda sua experiência no Grupo Globo e o destacou como um "grande diferecial na carreira de qualquer jornalista". Ele ainda aconselhou outras empresas a aumentarem o número de profissionais negros nos cargos de liderança.

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MEU PRONUNCIAMENTO: Já que o assunto está tomando uma dimensão assustadora, decidi me pronunciar. A mim, realmente, não foi informado o motivo da minha demissão. Meu editor apenas disse que foi um pedido da direção pelo “conjunto da obra”. Cheguei a perguntar de que “obra” se referia, mas ele não soube responder (ou não podia). Enfim, durante os abraços de despedida nos colegas, quase todos me afirmavam que a “obra” consistia em alguns Stories durante a vitória do Flamengo sobre o River Plate por 2 a 1 na final da Libertadores. Só para contextualizar, já que vi em alguns perfis uma galera me chamando de X9, desde a hora que eu saí de casa para trabalhar, eu comecei a gravar, dizendo que, apesar de ser Vasco, naquele dia eu era Flamengo, porque o time representava o Brasil no campeonato internacional. Sei que pode parecer estranho, vindo de um vascaíno, mas eu sinceramente encarei aquilo como uma final de Copa do Mundo e mostrei, em inúmeros momentos do meu dia a expectativa pelo jogo. Aqui, no Brasil, se pararmos para pensar, não temos muitos motivos para comemorações. Alta do dólar, da carne, do gás, do tempo de trabalho... Deixa eu celebrar o Flamengo e idolatrar o Gabigol também, pô! Na redação, durante a partida, não foi diferente. Aliás, como lá era o lugar em que passava a maior parte do meu dia, sempre foi cenário dos meus vídeos diários. Eram muitos. E nunca reclamaram comigo. Pelo contrário, um monte de gente de lá me segue e me acompanha frequentemente. Mostrei nos meus Stories meu otimismo, pessimismo, apreensão, raiva, felicidade, euforia e otimismo de novo durante o jogo. Acho que todo mundo que torcia pelo Flamengo passou por isso. Inclusive o Márvio dos Anjos, editor de Esportes, que é um cara que eu adoro e, só a título de curiosidade, faz parte de um grupo de WhatsApp comigo, o Troncal de Carnaval, em que sugerimos as boas do carnaval durante o período da folia e, nos outros meses do ano, enviamos memes, figurinhas e falamos de assuntos que vão de A a Z. Fecha parênteses. *** Continua nos comentários ***

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