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Antes de virar apresentador e criar um personagem para si, Marcelo Rezende foi um dos grandes repórteres que o Brasil já conheceu

Marcelo Rezende (1951-2017) era um personagem. Aquele sujeito fanfarrão, bem humorado, frequentemente machista e cheio de bordões que aparecia na TV, no “Cidade Alerta” desde 2012, por cerca de quaro horas, era uma criação que deu tão certo que muita gente confunde com o jornalista Marcelo Rezende. Antes de virar uma celebridade, e ocasionalmente refém de seu ego, Rezende foi um grande repórter. Daqueles que elevou o nível da profissão.

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Marcelo Rezende
Reprodução/Facebook
Marcelo Rezende

A entrevista com o maníaco do parque, um recorde de audiência até hoje inquebrantável no “Fantástico”, a revelação do enriquecimento ilícito de dirigentes de futebol como Eurico Miranda e Ricardo Teixeira são apenas alguns dos expoentes na extensa ficha corrida de contribuições de Marcelo Rezende ao ofício da boa reportagem.

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Como repórter, atuou em diversas frentes. Do rádio à TV, passando por jornais ( O Globo entre eles) e revistas (sua passagem na Placar foi consagradora). Chegou à TV pelo Globo Esporte , mas brilhou de verdade no jornalismo policial. A reportagem lhe agradava tanto que lançou em 2013 um livro sobre os bastidores das grandes reportagens que fez durante essa áurea fase na Globo. “Corta pra Mim – Os Bastidores das Grandes Investigações” (Editora Planeta, 240 páginas). A obra contempla apenas sua fase repórter, não atingindo o pós- Globo , quando se reinventou como apresentador em emissoras concorrentes como Record , RedeTV!  e Bandeirantes .

A luta contra o câncer foi intensa, mas a doença cruel foi célere. Ele afastou-se da televisão em maio, mesmo mês em que iniciou a quimioterapia. Pouco depois anunciou que deixaria de fazer o tratamento convencional contra a doença, mas sempre asseverou sua fé de que venceria a doença. Nos últimos dias, intensificaram-se os rumores de que sua saúde estava bastante comprometida. Ele de fato estava internado com uma pneumonia.

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Amante da reportagem, nos faz lembrar da necessidade de profissionais com esse tino, com esse faro e justamente pelo momento atribulado do jornalismo , a memória dessa faceta do carioca se faz tão necessária.