Tamanho do texto

Atriz, que é destaque no elenco de "Minha Primeira Vez", bateu um papo com o iG e disse não ver hipocrisia na relação do brasileiro com o sexo, mas que excesso de cautela com o tema deve ser superado pela nova geração

A atriz Tammy Di Calafiori
Ricardo Penna
A atriz Tammy Di Calafiori

Todo mundo gosta de falar sobre sexo, mas nem todo mundo admite isso. Para si ou para os outros. A peça “Minha Primeira Vez” , que está em nova temporada no Teatro Fashion Mall no Rio de Janeiro, problematiza essa realidade ao colocar os atores para interpretar depoimentos reais, que podem ser picantes ou não, de internautas.  Tammy Di Calafiori, que promete ter um 2017 agitado, bateu um papo com o iG sobre os desafios de dar voz as angústias, taras e realizações sexuais de outras pessoas.

Leia mais:  Rafael Primot saiu de casa para ser ator: "Não sei como meu pai não me amarrou"

Emiliano d’Avila, Natália Rosa, Gabriela Vergani, Ian Soffredini, Tammy Di Calafiori e Ronny Kriwat na imagem de divulgação da peça
Divulgação
Emiliano d’Avila, Natália Rosa, Gabriela Vergani, Ian Soffredini, Tammy Di Calafiori e Ronny Kriwat na imagem de divulgação da peça

“‘A Minha Primeira Vez’ é um desafio para mim, pois interpreto diversas personagens com universos completamente diferentes”, observa Tammy Di Calafiori sobre o dinamismo do espetáculo. “Eu já tinha feito parte da primeira temporada, que aconteceu em 2013, com a qual viajamos para diversos lugares. A peça foi um sucesso e ficamos sete meses em cartaz no Teatro Folha em São Paulo. Dessa vez, conseguimos nos apresentar no Rio de Janeiro”, comemora.

Idealizada por Ken Davenport a peça fala sobre a primeira experiência sexual das pessoas. O texto apresentado no Rio de Janeiro preserva alguns depoimentos originais da peça de Davenport e também expõe histórias brasileiras que foram colhidas no site da peça. “O espectador pode ir preparado para ver muitas situações inusitadas e comuns. Temos drama, tabu, comédia, romance”, elenca a atriz. “Afinal de contas, sexo não é igual para todos”.

Leia mais:  "Foi um ano especial para mim", diz Alice Wegmann que brilhou no cinema e na TV

Sexo sem neuras

A atriz Tammy Di Calafiori
Ricardo Penna
A atriz Tammy Di Calafiori

Tammy não se incomoda em falar sobre sexo para um público formado majoritariamente por desconhecidos. “Até porque são minhas personagens dando os relatos. É muito diferente de mim, Tammy”, diz. Para ela, falar sobre sexo é sempre válido, independentemente da plataforma. “É importante passar para as próximas gerações como que funciona e os cuidados que devem ter, ensinar que não é algo perturbador”.

Ela diz não ver hipocrisia no trato dos brasileiros com o sexo, mas reconhece que há muita cautela para tratar de tudo que foge ao padrão instituído pela sociedade. “É por isso que abordamos o assunto com cuidado, assim não causamos desconforto para ninguém”, observa pouco antes de emendar que “ a nova geração está aí para desmistificar tudo isso”.

Aos 28 anos, em sua quarta peça, a atriz se prepara para protagonizar “O Rico e O Lazáro” , que deve estrear em março na Record. “Estou muito feliz em poder dar vida à Lia, que é uma heroína com muita fé, uma personagem bastante desafiadora para mim e foi isso o que me chamou a atenção nela”, conta.  “A história dela é muito bonita; uma jovem traumatizada pela perda da família e do país em que nasceu, que foi Jerusalém”. Segundo Tammy, a novela irá levantar boas questões, congrega variados gêneros e deve cair no gosto do público.

Leia mais: Clarisse Abujamra fala sobre "Cenas de uma Execução": "Um embate fascinante"

Com mais de dez anos de carreira e se experimentando tanto na TV, como no cinema – já esteve em filmes como “Meu Nome Não é Johnny” e “A Suprema Felicidade” – e no teatro, Tammy Di Calafiori revela que Ana Paula Arósio , intensa na novela “Ciranda de Pedra”, foi uma grande influência em sua carreira. Diz, ainda, que “fazer TV é um aprendizado constante” e que está adorando explorar todas as vertentes do meio artístico. “O maior barato do teatro é receber a resposta imediata do público”.