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Em entrevista ao iG, a jornalista fala sobre a obra, a rotina de trabalho na Globo e expõe o receio com a agenda ambiental de Donald Trump

Maria Júlia Coutinho, a Maju, como é carinhosamente chamada por colegas da TV Globo , por internautas e por todos aqueles que assistem a previsão do tempo no Jornal Nacional , estrelou uma ascensão meteórica no jornalismo da emissora carioca. Com o inconformismo dos grandes profissionais, a paulistana se recusa a satisfazer-se com esse predicado e acaba de lançar “Entrando no Clima – Chuva, Chuvica, Chuvarada e Outras Meteorologices”.

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Maju estreia como escritora com o livro
Reprodução
Maju estreia como escritora com o livro "Entrando no Clima"

“Em setembro do ano passado, recebi o convite da editora Planeta para escrever esse livro. A proposta era explicar alguns fenômenos meteorológicos de forma simples e leve”, revela Maju em entrevista exclusiva ao iG . “O livro procura aprofundar um pouco mais conceitos abordados no ‘Jornal Nacional’”. A jornalista explica que a atuação do meteorologista Mauro Neutzling Lehn, coautor da obra, foi fundamental no processo que contou, ainda, com consultas rotineiras a especialistas do INPE  (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), do CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climático), meteorologistas da Climatempo e professores de universidades.

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O cuidado na confecção do livro envolveu parentes e amigos para o que a jornalista chama de “teste do leitor leigo”. “Fiz umas seis versões de alguns textos até deixar o material o mais compreensível possível para quem não entende nada sobre o assunto”.

Choveu canivete

A capa do livro da Maju
Divulgação
A capa do livro da Maju

Maju conta que escrever o capítulo sobre o vento foi o mais difícil, já que era necessário destrinchar alguns conceitos básicos da física. “É um dos capítulos que mais gosto. Nele falo também sobre energia eólica, sobre o vento na mitologia e na música”, observa.  “Aliás, há outros capítulos em que cito trechos de músicas que falam sobre o tempo meteorológico. Para mim, depois do amor, o tempo é um dos temas mais cantados na nossa música”, completa a jornalista e escritora.

Esse clima ameno, tão característico da personalidade da Maju que conhecemos e que recebemos em nossa casa diariamente, permeia o último capítulo do livro, batizado de “Tempo de Sabedoria Popular”. “Fiz uma enquete com meus seguidores na Internet e choveu um grande número de expressões populares sobre o tempo, por isso tal Capítulo é dedicado aos internautas que me seguem nas redes sociais”.

Rotina e Trump

“A experiência de escrever é deliciosamente dolorosa”, afirma quando indagada sobre a possibilidade de retomar a pena de escritora. “É um trabalho insano, porém enriquecedor. Gostei muito e creio que quero escrever outros livros, sim”. A rotina, ela define como intensa. “Entro no início da tarde na Globo, participo da reunião de pauta da meteorologia, onde são apresentados os destaques da previsão e são definidas as artes para ilustrar os fenômenos. Depois, cuido da maquiagem, gravo a previsão para a internet e, ao final do dia, escrevo os textos do SPTV 2ª edição e do JN e termino o trabalho com a apresentação da previsão”.

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Extremamente antenada nas pautas ambientais, Maju vê com bons olhos o desempenho do Brasil na área e acha que o País, apesar da meta ambiciosa de reduzir 43% até 2030 das emissões de gases do efeito estufa em relação a 2005, reúne condições de fazer bonito. Já sobre o futuro da pauta ambiental no mundo, a jornalista admite receio com a agenda do novo presidente americano Donald Trump. “Espero que ele, que diz  que o aquecimento global é invenção dos chineses, passe a compreender que é um bom negócio investir no cuidado com o planeta Terra, a nossa casa comum. Esse sim, é um negócio da China!”