Acordar e saber que o dia pela frente é um plano traçado sujeito a mudanças. Assim era a nossa vida pré-Covid-19. Ela continua igual, só que diferente. Agora, além das incertezas, temos o medo de adoecer ao entrar em contato com o outro. Na rotina das gravações de uma novela, que envolve dezenas de pessoas, a pandemia fez mudar o nosso olhar e jeito de estar no set de filmagem.

regina casé em
Divulgação
"Amor de Mãe"

Chego aos Estúdios Globo ao meio-dia. A sensação é de vazio. Equipes reduzidas. Antes da Covid-19, tínhamos até 60 pessoas por dia no set. Hoje, são 20, 25. Sigo solitário. Quando saio do carro, já há tomada de temperatura para entrar na primeira portaria do MG4, o estúdio onde a novela “Amor de mãe” é gravada. Dentro da estratégia do novo protocolo, há diferentes entradas para atores, produção, equipe que faz a higienização. É tudo planejado para evitar encontros e aglomerações. As reuniões que aconteciam nos estúdios, agora são feitas, pela manhã, via Teams ou Zoom, depois de reler as cenas que vamos filmar.

O protocolo divide o espaço em três: azul, por onde circulam mais pessoas, e é todo mundo de máscara o tempo todo; amarelo, onde colocamos as roupas de proteção (aquele macacão branco, além da máscara), por onde circulam a equipe e também seguranças e profissionais que limpam o lugar; e a área vermelha, que são os camarins e o estúdio. Onde há ator é área vermelha, porque eles precisam tirar a máscara e, assim, é necessário reforçar os cuidados e reduzir ainda mais o número de pessoas.

Na área amarela, visto minha roupa de proteção, higienizo meus objetos pessoais para colocar na sacola do protocolo. Levo telefone, escova de dentes, iPad, porque não tem mais papel com o roteiro no estúdio. É um ritual. Aí, guardo a bolsa num escaninho individual e vou comer em um restaurante com mesas separadas por dois metros de distância e onde parece que o dia não muda, porque as pessoas estão sempre do mesmo jeito, com o macacão branco, uma sensação estranhíssima. Almoço uma comida que agora parece aquelas de avião: em porções pré-determinadas e já embaladas; os talheres, no ziplock.

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