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Filme acompanha os dias seguintes à demissão de uma sexagenária após 30 anos na empresa e como uma viagem à Argentina pode ser libertadora. "Pela Janela" estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (18)

Rosália (Magali Biff) dedicou sua vida à fábrica de reatores em que trabalha na periferia de São Paulo. Um belo dia ela é demitida com uma naturalidade dolorosamente artificial e o desamparo, ruidoso para qualquer um em tais circunstâncias, bate forte nessa mulher de 65 anos. É este o ponto de partida de “Pela Janela”, estreia de Caroline Leone na direção e ponto de partida da Sessão Vitrine Petrobras em 2018.

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Cena de
Divulgação
Cena de "Pela Janela", que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (18)

Premiado no festival de Rotterdam, “Pela Janela” versa sobre uma transformação de foro íntimo. Rosália jamais tinha saído de sua rotina, daquele seu universo mínimo, cômodo e sem sobressaltos. O amparo pelo irmão José (Cacá Amaral), quem a motiva a fazer com ele uma viagem pela Argentina de carro, se mostra providencial. José é mais viajado, relaxado, leve e sua vivência serve como bússola para Rosália que aos poucos vai se encontrando fora do que tinha para si como proposta de vida.

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Leone constrói um filme de pequenos momentos, de microepifanias. De personagens se esbarrando, de um sentido maior emprestado de experiências interiores. Não à toa, o nome do filme faz referência a esse estado de observação, de transitoriedade. É um filme de rara sutileza no desenho de uma personagem congestionada por emoções que não necessariamente consegue ordenar e que se flagra em circunstâncias em que pode se libertar desse ordenamento.

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