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Cena de "O Hóspede Americano"

Uma expedição que não está na maioria dos livros de História do Brasil e que muita gente não aprendeu na escola. É isso que "O Hóspede Americano", minissérie que estreia na HBO em 26 de setembro, vai contar. A produção criada pelo cineasta brasileiro Bruno Barreto gira em torno da viagem que o ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt fez pela Amazônia no começo do século XX.

A trama se passa em 1914, pouco após Roosevelt, interpretado por Aidan Quinn, perder as eleições e sofrer um assassinato. Ele é então convidado a participar de uma expedição pela Amazônia brasileira ao lado do Marechal Cândido Rondon (Chico Diaz), que explorava a região há mais de 20 anos. Theodore aceita essa aventura e leva junto o filho Kermit, vivido por Chris Manson, que conversou com o iG Gente ao lado de Dana Delany, atriz vencedora do Emmy e responsável por interpretar Edith Roosevelt, esposa do ex-presidente.

Os dois atores estiveram no Brasil em 2018 para as gravações da série, que conta também com brasileiros no elenco como Theodoro Cochrane, João Côrtes, Michel Gomes, Arieta Corrêa e outros. Dana trabalhou somente de São Paulo, já Chris foi à Amazônia para as gravações.

A Amazônia

A expedição de Roosevelt pela Amazônia quase custou a vida dele. O estadunidense teve que enfrentar a natureza selvagem, entrou em conflitos com indígenas, se machucou e voltou aos Estados Unidos com malária. Por mais que tenham vivido bem menos perrengues do que os exploradores, a equipe de "O Hóspede Americano" também teve que contornar alguns problemas para conseguir gravar na floresta.

"Não foi fácil, no primeiro dia que nós chegamos no set, que era apenas uma pequena clareira do lado de um rio na Amazônia, todo mundo percebeu que iria demorar bem mais do que nós esperávamos para gravar. Foi uma logística muito grande", lembra Chris. O ator conta que precisava pegar barcos todos os dias para chegar aos locais de gravações e que lá tinham profissionais especializados para lidar com os animais que eles encontravam ocasionalmente, como cobras e escorpiões.

Entre as dificuldades que passou na floresta, Chris destaca as cenas gravadas nos rios. Ele fala que foi difícil conseguir gravar nos barcos com segurança e fazer um bom trabalho nas águas amazônicas. Além disso, ele também precisou fazer uma viagem ao hospital. Aidan Quinn viu um caroço se mexendo na cabeça do colega do elenco, que eles descobriram ser nada menos do que um berne, uma larva de mosca na cabeça do ator.

Apesar desses sufocos, o artista diz que poder conhecer e trabalhar na Amazônia foi uma oportunidade fantástica. "Foi muito divertido. Depois e uma semana ou duas levando picadas de formigas-de-fogo você se acostuma com isso", completa.

O Brasil

A primeira vez que Chris veio ao Brasil foi para gravar "O Hóspede Americano". Já Dana Delany trabalhou em outras filmagens por aqui e também visitou o país a turismo. Ela diz que o Brasil é como se fosse "um segundo país" e conta ter aproveitado o tempo livre em São Paulo para conhecer a cidade.

"Eu fui muito aos museus. Amo arte e nunca tinha ido ao Masp, que tem uma coleção de arte fenomenal. Gosto muito de móveis brasileiros, então comprei essas cadeiras rosa do Jorge Zalszupin. Também caminhei bastante pelas ruas e, é claro, muitas caipirinhas", lembra.

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Cena de "O Hóspede Americano"

Já no interior do Brasil, Chris fala que aproveitou o tempo livre jogando futebol com a equipe brasileira, visitou a Chapada dos Guimarães e também foi a uma balada onde tentaram ensiná-lo a dançar. "Não consigo dançar, então todo mundo tentou me ensinar e eu fiquei todo atrapalhado no meio de muitos brasileiros. É uma das minhas memórias favoritas", recorda.

O ator diz que durante o tempo livre e nas gravações na Amazônia teve a oportunidade de se entrosar com o elenco brasileiro. "Nós nos aproximamos bastante. Chico [Diaz] é um ator fenomenal, aprendi muito com ele. Ele é fantástico. Eu joguei bastante futebol com o Chico no hotel. O resto do elenco também foi ótimo, Theodoro [Cochrane] e João[Côrtes]. Nós nos divertimos muito nos finais de semana", conta.

A história

A série da HBO é uma obra de ficção, mas não deixa de ser baseada em eventos reais. Dana Delany comenta que é sempre difícil trabalhar com fatos históricos, por isso teve que estudar muito antes de começar a gravar. Ela conta que leu um livro sobre Edith Roosevelt, sua personagem, e também pesquisou sobre as expedições no Brasil.

Já Chris Manson precisou até mesmo aprender um pouco de português para "O Hóspede Americano". Ele garante que consegue entender quase tudo que um brasileiro fala, mas ainda está longe de ser fluente. O ator também adquiriu alguns conhecimentos práticos como aprender a segurar em armas e como lidar com a natureza da Amazônia.

O artista chegou a contracenar com indígenas brasileiros e fala que essas cenas podem trazer mensagens importantes para o público. "Nós trabalhamos com verdadeiros indígenas e eles venderam bijuterias para nós no set. Algo importante que o público pessoas podem aprender com a série é que essas pessoas estão lá e vivem uma vida muito diferente de nós, mas temos que respeitar isso", diz.

Dana também ressalta que a série tem lições a ensinar para quem é do Brasil ou dos Estados Unidos. A atriz comenta que o enredo gira em torno de um dos muitos casos de um líder estadunidense acreditando que é capaz de solucionar qualquer problema do mundo.

"Eu gosto do fato que Theodore Roosevelt foi para lá procurando uma aventura, era tudo que ele esperava. Ele usava essas escapadas para fugir da depressão dele. Não acho que ele estava preparado para o que ele encontrou lá. Ele chegou como um colonizador branco que só iria ter uma aventura e foi pego de surpresa pelo quão difícil foi e que nem todo mundo queria ele lá. As pessoas tinham uma vida diferente e queriam manter isso. É um exemplo ótimo de americanos querendo salvar o mundo e que acabam aprendendo uma lição difícil", finaliza. 

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