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Em seu primeiro mês na grade de programação, atração com Fernanda Gentil mostrou-se um problema para a emissora em diferentes aspectos

Em novembro de  2018 críticos de televisão e jornalistas começaram especular mudanças no setor esportivo da Globo , em setembro de 2019 essas mudanças mostraram-se concretas com a estreia de Fernanda Gentil no entretenimento vespertino da emissora. 

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Divulgação / TV Globo
"Se Joga"

Muito refletiu-se e ponderou-se sobre a transferência da jornalista para o setor de entretenimento da Globo , alguns críticos, inclusive, apontaram que a demora para que Fernanda Gentil estrear tinha relação com a forte rejeição do público com a imagem dela.

Em 30 de setembro de 2019 o “ Se Joga ” chegou oficialmente à programação da emissora. Acompanhada de Fabiana Karla e Érico Brás, ambos estreantes no ofício de apresentador, a atração, inicialmente projetada apenas para Gentil, mostrou-se pouco atrativa e um tanto atrapalhada. Um mês após a estreia, a situação não melhorou. Pelo contrário, piorou.

Com base nisso, o iG Gente fez uma minuciosa análise e listou quatro motivos que provam que o “Se Joga” é um verdadeiro tiro no pé da emissora da Família Marinho. Confira.

Audiência

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Divulgação / TV Globo
"Se Joga"

Logo em sua estreia o projeto marcou 6.7 pontos de média, o que lhe rendeu um recorde negativo de audiência vespertina. Todavia, o problema com os números não parou por aí.

Segundo números obtidos com pelo Notícias da TV , o programa, em suas primeiras quatro semanas, teve média de 7,3 pontos na Grande São Paulo. Na mesma faixa, a Record TV liderou isolada com 9.1  pontos com as fofocas de Fabíola Reipert.

A derrota foi tão evidente que em uma das edições, antes de começar uma gincana, Gentil brincou: “Se não der audiência a gente desiste”, dando a entender que a batalha não estava fácil. 

Fórmula fraca 

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Divulgação / TV Globo
"Se Joga"

Tido como grande aposta da emissora para as tardes, a atração mostrou-se uma decepção também em seu conceito estrutural. Seguindo a mesma fórmula do “Vídeo Show” de crossmídia - convidando famosos diariamente para realizar gincanas -, o programa ainda “roubou” um quadro da Record TV sem timidez, deixando em evidência a falta de criatividade e capricho com o que deveria ser a nova “menina dos olhos” da emissora. 

Há quadros em que famosos da própria emissora comparecerem - perceba, crossmídia estilo “Vídeo Show” - e têm suas redes invadidas, algo muito semelhante ao “Webbullying”, projeto elaborado pelo comediante Maurício Meirelles no extinto "Pânico na Band".

Já o “Isso é Muito Minha Vida”, com Paulo Vieira, é uma cópia explícita do “Emergente como a Gente”, que era exibido na Record TV  dentro do “Programa do Porchat”, inclusive, o elenco é o mesmo - todavia, agora o projeto têm mais investimento e mostra-se mais refinado.

Apresentadores 

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Divulgação / TV Globo
"Se Joga"

Provavelmente o motivo de Fabiana e Érico estarem como co-apresentadores na obra é a especulada rejeição de Gentil sob as telas. Todavia, o trio junto não têm apelo suficiente para levar a atração para frente. Apesar de esforçados e animados, como diria Erick Jacquin, jurado do “MasterChef” e apresentador do “Pesadelo na Cozinha”, “falta tômpero”.

Asas à cobra 

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Divulgação / TV Globo
"Se Joga"

Um dos grandes riscos assumidos pela emissora ao levar Fernanda para o entretenimento era dar-lhe-a local de fala. Como jornalista, ela podia falar sobre os assuntos que lhe interessasse, mas segundo o código de ética de jornalismo da emissora, ela não podia declarar, curtir e compartilhar nada nas redes sociais que colocasse sua neutralidade em dúvida.

Desde que foi confirmada no entretenimento, as falas da jornalista ganharam mais visibilidade e alcance de disseminação. No entanto, o pior aconteceu após a estreia do programa. Em recente entrevista ao Uol , Gentil deu a entender que defende racistas e preconceituosos, o que gerou um grande desconforto entre o público da comunicadora, em especial entre os homossexuais, que não pestanejaram em dar início ao linchamento virtual da mesma. 

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Com dificuldade na audiência, quadros nada criativos e elenco fraco, por mais que a mesma demore a admitir, o “ Se Joga ”, até então, é um problema na grade da Globo , provando a cada dia que realocar Gentil não foi um boa ideia, foi um tiro no pé.