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Na grade da Globo desde 1973, o "Globo Repórter" é um dos programa jornalísticos mais antigos da emissora, mas agora tem a "concorrência" do "Profissão Repórter"; veja as diferenças entre eles

Há 44 anos, o "Globo Repórter" é um dos programas jornalísticos mais respeitados do País. Focado em reportagens especiais, a atração da Globo passou por várias mudanças em todos esses anos, mas hoje tem uma espécie de "filhote": o "Profissão Repórter" .

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Sérgio Chapelin é o apresentador do
Reprodução/Globo
Sérgio Chapelin é o apresentador do "Globo Repórter" desde 1973

Apesar de serem diferentes, o "Globo Repórter" e o "Profissão Repórter" partem da mesma premissa: a reportagem aprofundada. Hoje, o programa comandado por Caco Barcellos toca em temas mais pontuais do que o apresentado por Sérgio Chapellin , mas nem sempre foi assim.

O "Globo Repórter" coleciona prêmios de jornalismo por suas reportagens aprofundadas sobre temas importantes. A atração falava de temas como extermínio de menores, mortes no trânsito e pessoas desaparecidas, além de fazer um importante trabalho em escândalos políticos e matérias investigativas, parecido com o que o "Fantástico" faz hoje.

Mudança

A mudança editorial da atração é explicada oficialmente pelo maior alcance que o programa teve a partir de 1996, quando o foco passou a ser as classes C e D. A partir daí, o jornalístico passou a fazer matérias sobre temas mais abrangentes, principalmente relacionados a turismo, meio-ambiente, saúde e bem-estar.

Caco Barcellos era um dos jornalistas mais respeitados do programa, por isso não foi surpresa alguma quando ele passou a comandar o "Profissão Repórter", programa que estreou na grade da Globo em 2006. Com uma equipe de repórteres iniciantes, ele investigava temas importantes para a sociedade, sem medo de mexer na ferida, o que o "Globo Repórter" fazia antes.

Analisando o que é feito pelas duas atrações hoje, essa distinção fica bem clara. Enquanto o "Globo Repórter" tem temas como amizade, geração hiperconectada e viagens a países como Hong Kong e Itália, o "Profissão Repórter" já foca em condições carcerárias, conflito por terras, seca no Nordeste e violência no Brasil.

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Cena do
Divulgação/Globo
Cena do "Profissão Repórter" sobre conflito por terras no Brasil

Sob a batuta de Caco Barcellos, os jovens repórteres fazem hoje o que a atração mais antiga fazia em anos anteriores. O programa, aliás, já está sendo reconhecido por isso e levou até um Troféu Imprensa de melhor programa de jornalismo.

Mexendo na ferida

A importância do "Profissão Repórter" também é indiscutivelmente maior. Apesar de ser exibido em um horário pior – às quartas-feiras, após o futebol –, o programa tem temas mais agudos e que levantam um debate.

Hoje, a atração de Caco Barcellos é mais próxima aos programas jornalísticos das outras emissoras. O "Conexão Repórter", do SBT, e o "Repórter Record", da Record", são programas que levantam debates sobre temas revelantes.

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Na prática, o "Profissão Repórter" de hoje é o "Globo Repórter" de antigamente. Na premissa de que o público está cansado de ver notícias ruins, um dos programas mais antigos da emissora ainda sobrevive e tem audiência com reportagens cabiam perfeitamente em programas matinais. A parte pesada do noticário fica com Caco Barcello e seus pupilos, que tiram a tarefa de letra. Agora, a torcida é para que o "Profissão Repórter" seja tão relevante quanto seu "pai".

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