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A supersérie decepcionou desde a estreia e, mesmo com audiência em ascensão, não conseguiu causar o impacto de suas antecessoras no horário

A primeira aposta da Rede Globo para uma “ supersérie ”, “Os Dias Eram Assim” tem deixado a desejar. Apesar de ter visto sua audiência melhorar nas últimas semanas depois de patinar no primeiro mês, a história não está agradando. E não é por falta de oportunidade: a direção de arte é ótima, a trilha agrada, o casal de protagonistas tem química e o elenco, com muitos nomes de peso, está bem afiado. Mas por que a trama não emplacou? Listamos cinco motivos para o fracasso de “Os Dias Era Assim”:

Com ditadura como pano de fundo, supersérie perde a oportunidade de explorar o período com profundidade
Divulgação/TV Globo
Com ditadura como pano de fundo, supersérie perde a oportunidade de explorar o período com profundidade

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O horário

Os Dias Eram Assim ” pode não ser mais considerada como uma “novela das 23h”, mas é o horário que ocupa. Apesar de ser uma trama propositalmente exibida tarde, o fato de começar depois das séries como “ Mister Brau ” e “Vade Retro” não ajuda a supersérie.

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Não só isso, o folhetim de Angela Chaves e Alessandra Poggi foi originalmente pensada para o horário das 18h. Portanto, muitos dos elementos comuns à tramas nesse horário permaneceram, apesar de o público que assiste a cada um ser distinto. Enquanto às 18h o perfil de espectadores é formado majoritariamente por donas de casa, a faixa das 23h inclui um grupo um pouco mais novo, que trabalha até mais tarde e está disposto a assistir uma produção mais densa.

“Supersérie”

Não é clara a estratégia da rede Globo ao trocar o nome do formato, sem realmente mudar nada na prática. Pelo contrário, a “super” série será ainda mais longa que a novela das 23h anterior, “ Verdades Secretas ”, que teve 64 episódios. “Os Dias Eram Assim” deve se encerrar somente em 15 de setembro, acumulando 88 capítulos. O nome não pegou, e quem esperava algo de “série” se decepcionou ao encontrar um formato novelesco bem tradicional e arrastado.

Ditadura

Foco em
Divulgação/TV Globo
Foco em "amor impossível" não agradou em "Os Dias Eram Assim"

Com a polarização política atual, uma trama política já não é tão atrativa. Soma-se o fato de que “Os Dias Eram Assim” pouco se preocupar em retratar o período com clareza, e o tema da ditadura acaba não funcionando. Destaca-se o maniqueísmo dos personagens, mas, como foi planejado desde o começo, a supersérie não tem o objetivo de tratar de uma das épocas mais violentas do país. E é justamente com isso que a série perde, ao dar uma “pincelada” da ditadura sem se aprofundar.

Amor sem revolução

Transferido para a faixa mais tardia, o roteiro não acompanhou essa mudança de horário. Os diálogos até incluem palavrões, e as cenas de violência e sexo são mais explícitas, mas as tramas das 23h são conhecidas por serem mais ousadas , tanto no texto quanto na estética. A emissora destaca o Brasil na ditadura , mas foca em um romance impossível , trama básica da maioria dos folhetins. Os espectadores do horário buscam histórias diferentes, que não estão nas novelas tradicionais. Assim, o tema “amor impossível” prevalece qualquer outra abordagem que poderia ser explorada, e a novela perde com o roteiro superficial.

Tramas paralelas

As tramas paralelas não empolgam e a supersérie acaba criando algo que outras novelas tentam eliminar: a barriga. Muitas cenas sem objetivo, que servem apenas para integrar um personagem acabam sendo recorrentes. Até mesmo Susana Vieira na pele de Cora serve apenas para instigar o filho Victor ( Daniel de Oliveira ) a conseguir o que quer. Uma boa dinâmica, que incluía Alice ( Sophie Chalotte ), a mãe Kiki (Natália do Vale) e Arnaldo (Antônio Calloni) se desfez com o casamento da filha e a morte do pai.

Tramas paralelas não funcionam e novela ficou arrastada
Divulgação/TV Globo
Tramas paralelas não funcionam e novela ficou arrastada

Para evitar isso, as autoras de "Os Dias Eram Assim" vão investir da relação de Toni (Marcos Palmeira) e Monique (Letícia Spiller) que se envolverão com Maria (Carla Salle) e Chico (José Loreto), respectivamente. Outra tentativa de “agitar” o folhetim ficará a cargo de Natália (Marina Lima) que se envolverá com o filho de Amaral (Marco Ricca), que a torturou no passado.

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