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Maneco, como é conhecido, marcou a história da Globo e até hoje é um ícone quando o assunto são novelas, porém atualmente ele está "na geladeira" do canal por ter alcançado a pior audiência da emissora em horário nobre

Desde que sua última novela no horário nobre – “Em Família” – ganhou o status de “fiasco”, foi possível perceber o desgaste das produções assinadas por Manoel Carlos. Um dos autores mais respeitos da emissora enfrentou uma imensa onda de rejeição com o folhetim que foi ao ar em 2014, o que levou ao encurtamento “de emergência” para a trama antes que os resultados não fossem ainda piores. Mas o que aconteceu com o autor que, no passado, emplacava sucesso atrás de sucesso e fez história na teledramaturgia brasileira?

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Manoel Carlos no passado emplacada um sucesso atrás do outro, mas atualmente está ''na geladeira'' por últimos fiascos
Estevam Avellar/TV Globo
Manoel Carlos no passado emplacada um sucesso atrás do outro, mas atualmente está ''na geladeira'' por últimos fiascos


Ascensão e declínio

Manoel Carlos tem um currículo e tanto quanto o assunto é televisão: ele foi o responsável pela criação das novelas “ Maria, Maria ”, “ Baila Comigo” , “ Felicidade ”, “ História de Amor ”, “Por Amor“ e “ Páginas da Vida ”, título mais recente que alcançou bom resultados na emissora. Entretanto, seus trabalhos seguintes já não conseguiam se aproximar da glória que teve um dia. “Viver a Vida” não convenceu o público e “Em Família” foi alvo de duras críticas por todas as partes.

''Por Amor'' marcou uma geração com o drama de mãe e filha e dilema sobre troca de bebês
Divulgação/TV Globo
''Por Amor'' marcou uma geração com o drama de mãe e filha e dilema sobre troca de bebês

Por Amor ” já foi reprisada diversas vezes e, até hoje, é um sucesso consolidado: o Canal Viva reapresenta a novela pela segunda vez por ser uma das mais pedidas pelo público. A história que conta um caso de amor incondicional de uma mãe que se sacrifica para ver a felicidade da filha comoveu o país inteiro – a produção teve uma média de 42 pontos de audiência e seu capítulo final chegou aos 54 pontos, números considerados muito bons para a faixa de horário das 20h. A fórmula do folhetim com personagens fortes, um dilema moral envolvente e várias polêmicas que salpicavam a trama – como alcoolismo e bissexualidade – fizeram com quem “Por Amor” se oficializasse no hall de novelas notáveis do canal.

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Anos depois Maneco – como é conhecido o autor – conheceria o amargor do fracasso com “ Em Família ”, que bateu recorde negativo de audiência. A novela teve, em média, 29 pontos, pior marca da Globo para o horário. O episódio final ganhou algum fôlego e chegou na casa das 33 pontos, porém “Em Família” ficou marcada como seu grande fracasso na televisão. A trama se arrastava sem ritmo e o público não conseguia ter empatia com nenhuma das personagens – mesmo com grandes atrizes em cena, a produção errou no tom e acabou sendo totalmente esquecida. A emissora exigiu um corte de vários episódios – no final somente 149 foram ao ar – e, assim, a novela desandou de vez, ficando confusa e a narrativa não se sustentava por si só.

Decadência

O que, depois de tantos anos de sucesso, teria levado os folhetins de Maneco à decadência? Não há um motivo específico que possa ser apontado, porém existem hipóteses que mostrariam o desgaste do autor. Manoel Carlos sempre ambientou suas novelas na região do Leblon – ou seja, a maioria dos personagens eram, pelo menos, de classe média alta – e isso pode ter levado à falta de identificação do público com seu trabalho. O ritmo também é um fator: as narrativas precisariam se adaptar melhor as formas mais atuais que comunicação que, em geral, são mais ágeis do que no passado.

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''Em Família'' teve a pior audência da história da Globo e marcou ''fim da carreira'' de Manoel Carlos
Paulo Belote/TV GLOBO
''Em Família'' teve a pior audência da história da Globo e marcou ''fim da carreira'' de Manoel Carlos

Pensando em causas externas, o audiência já não é mais a mesma que há 20 anos – quase toda a programação da Globo sofreu com a queda de espectadores nos últimos tempos – e, portanto, as demandas são outras. Ou seja, o modelo que agradava durante os anos 1980 e 1990 já foi ultrapassado e, para um autor de 84 anos, deve ser difícil adaptar-se ao novo perfil do público. Afinal, pode-se falar na “decadência de Manoel Carlos ” ou decadência de um modelo de televisão que já não corresponde a realidade?

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