
Existem alguns filmes onde conseguimos ver claramente o espírito de franquia cinematográfica, como por exemplo, filmes de super-heróis, obras de terror ou longas de ação policial, sejam mais sérios ou misturados com comédia.
Então, soa como uma surpresa testemunhar seis anos após o original Destruição Final: O Último Refúgio (2020), encontrarmos um caminho para a sequência Destruição Final 2 (2026), já disponível nas salas de cinema, por todo o país.
Ainda mais incomum é o fato de que o primeiro longa não representou um sucesso de bilheteria – certamente pelos tempos de pandemia –, mas foi definitivamente uma produção que encontrou o seu espaço no streaming, fazendo bastante barulho por lá.
Assim, temos Destruição Final 2 que acompanha John (Gerard Butler) e Allison Garrity (Morena Baccarin), cinco anos após o impacto do cometa Clarke, forçados a deixar seu bunker destruído na Groenlândia e atravessar o oceano para uma Europa congelada e devastada. Eles seguem em direção a um suposto refúgio seguro na cratera onde caiu o colossal cometa, na região do Mediterrâneo, junto de seu filho adolescente, Nathan, enfrentando sobreviventes perigosos e riscos ambientais inimagináveis.

De modo geral, em narrativas deste tipo, temos a “obrigação” de repetirmos os mesmos tropos para tentar garantir a satisfação do público para com aquele material. E, podemos afirmar que Destruição Final 2, de Ric Roman Waugh, faz isso direitinho.
Ambos, filmes de sobrevivência onde o foco recai sobre o personagem principal masculino, no caso, um pai de família tentando proteger os seus amados a qualquer custo. No original, o personagem tinha uma “dívida pessoal” para com sua família, que já foi, obviamente, paga. Enquanto aqui, sua motivação gira mais em torno da proposta de buscar dar uma vida decente aos seus mais queridos, antes que o tempo se esgote para ele.
Resumindo: não existem muitas diferenças de um filme para o outro, porém, em Destruição Final 2 iremos encontrar uma outra proposta no meio disso tudo, que busca exprimir como é a vida e trajetória de um refugiado. Algo de suma importância em tempos atuais, no entanto, é uma pena que o roteiro e direção do longa de sobrevivência pós-apocalíptico termine por falhar nesta proposta temática.

Lamentavelmente, observamos que os roteiristas e diretor Ric Roman Waugh não souberam como expressar da maneira mais verídica e respeitosa, como que figura esta jornada do refugiado que almeja chegar, acima de tudo, vivo e em um lugar seguro.
Enquanto mistura elementos típicos de sobrevivência dentro da proposta (inesperada chuva de meteoros; terremotos), busca expressar como é a viagem daqueles que perderam tudo, em direção a um lugar que não é uma certeza de nada. É nesse ponto que encontramos a maior falha de Destruição Final 2.
Uma considerável porção entre nós, tem o conhecimento lúcido, além de emocional, de que a vida do refugiado, não é uma vida. Cheia de obstáculos e, principalmente, repleta de pessoas que os querem caídos no chão, uma vez que os imigrantes representam os estranhos que acredita tomarão o seu lugar e tudo o que é seu, por direito.

Mas, em Destruição Final 2, tudo o que analisamos é um mundo abastecido de bons samaritanos, por toda a parte. Da senhorinha que cuida de outros idosos com doença de Alzheimer, em Londres, ao pai de família francês que recebe os Garrity, compartilhando comida e abrigo, além da tutela de sua filha adolescente, após uma única noite de encontro.
Sim, é de extrema relevância, ainda mais nos tempos de hoje, que a esperança prevaleça. Contudo, para isto ocorrer, a esperança precisa ser o que ela é, de fato. E, como já sabemos, não existe esperança sem a estrada de pedras.